Justiça

Lula lança PEC Tarifa Zero e mira abstenção recorde; Flávio une sertanejos no Centro-Oeste

Lula assina PEC Tarifa Zero para transporte público gratuito nos fins de semana
Presidente Lula anuncia proposta de emenda constitucional para tarifa zero no transporte coletivo aos finais de semana.

O presidente Lula (PT) confirmou que assina nesta quarta-feira (21) a Proposta de Emenda à Constituição que garante transporte público gratuito nos fins de semana, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) consolida apoio de estrelas do sertanejo em Goiás. A disputa pelo segundo turno entra na reta final com estratégias opostas: expansão de direitos sociais de um lado, apelo à “mudança” e segurança do outro.

Tarifa Zero: a aposta no lazer do trabalhador

Durante coletiva em São Luís (MA), Lula explicou que a PEC aproveita a aprovação do fim da escala 6×1. Com um dia a mais de folga, o argumento é que o povo precisa de transporte para usufruir desse tempo livre. A proposta prevê gratuidade em ônibus, metrôs e trens urbanos aos sábados e domingos a partir de 2027.

O custo da medida não foi detalhado, mas a equipe de campanha sinaliza que a compensação virá de realocação de subsídios federais atuais e de receitas da reforma tributária em tramitação. A assinatura ocorre amanhã, com envio imediato ao Congresso.

Última campanha e expansão do Pé-de-Meia

Em discurso na capital maranhense, Lula declarou que esta é sua última disputa presidencial. Caso reeleito, o quarto mandato focaria em consolidar programas recentes. A principal promessa nova é estender o Pé-de-Meia — hoje restrito ao ensino médio público — para estudantes universitários.

Criado em 2024, o programa paga incentivo financeiro para garantir permanência e conclusão escolar. A expansão ao ensino superior atingiria cerca de 3,2 milhões de alunos matriculados em instituições públicas, segundo dados do MEC de 2025.

Rota Nordeste: caça aos 33,4 milhões que não votaram

Após São Luís, Lula cruzou a Ponte Presidente Dutra entre Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) em passeata. O alvo declarado: convencer abstencionistas a comparecerem no dia 27. No primeiro turno, 21,08% do eleitorado — 33,4 milhões de pessoas — não votaram, recorde histórico.

A campanha petista mapeou que a abstenção foi superior a 25% em municípios do Nordeste onde Lula venceu com mais de 60% dos votos válidos. A estratégia é porta a porta e reforço no transporte gratuito no dia da eleição.

Desafio do sigilo: peça de teatro ou armadilha?

Lula reiterou o desafio feito no debate da Band: abre sigilo bancário e telefônico próprio e da família se Flávio fizer o mesmo. O petista condicionou a presença do adversário no debate da Globo, sexta-feira (23), à aceitação. Até o momento, a campanha do PL não respondeu formalmente.

Juristas ouvidos reservadamente indicam que a quebra voluntária de sigilo por candidato não tem previsão legal clara, podendo gerar questionamentos no TSE sobre uso eleitoral de dados protegidos.

Flávio Bolsonaro: sertanejos, segurança e “fim da polarização”

Em Goiânia, Flávio reuniu Gusttavo Lima, Zezé di Camargo e outros artistas. O candidato gravou vídeo na casa do primeiro, prometendo “vida dedicada a quem precisa” e governo “de mudança”. Citou medo de assalto, endividamento das famílias e impostos altos como eixos centrais.

“Hoje não é mais esquerda e direita, hoje é todo mundo querendo mudança”, disse. A fala tenta descolar a candidatura do bolsonarismo raiz e atrair eleitores de centro descontentes com a economia.

O que observar nos próximos sete dias

  • Debate da Globo (23/10): presença ou ausência de Flávio define tom da reta final;
  • Tramitação da PEC: resposta do Congresso à Tarifa Zero sinaliza governabilidade;
  • Mobilização no Nordeste: queda da abstenção em 5 pontos percentuais já alteraria projeções;
  • Pesquisas de intenção: próximo Datafolha/Ipec sai quinta-feira (24), último antes do segundo turno.

A eleição de 2026 será decidida na capacidade de cada lado converter narrativa em comparecimento às urnas. De um lado, a promessa de direitos concretos e transporte livre. Do outro, o apelo à ordem econômica e segurança. O eleitor que ficou em casa no dia 6 de outubro tem agora o voto decisivo.