Economia

Tarifa Zero nos fins de semana e o desafio do sigilo: o que define o 2º turno

Lula assina proposta de PEC Tarifa Zero para transporte gratuito nos fins de semana em São Luís
Lula protocolou PEC para garantir transporte público gratuito aos sábados e domingos a partir de 2027.

Lula (PT) protocolou a promessa de uma PEC para garantir transporte público gratuito aos sábados e domingos a partir de 2027, atrelando a medida ao fim da escala 6×1. A assinatura ocorre nesta quarta-feira (21), enquanto a campanha mira os 33,4 milhões de eleitores que não compareceram no primeiro turno.

A aposta no “Tarifa Zero” e o calendário legislativo

Durante coletiva em São Luís (MA), o petista explicou que a redução da jornada de trabalho criará um “dia a mais de lazer” que precisa ser acessível. A proposta prevê gratuidade integral no fim de semana, mas depende de aprovação no Congresso — o que transforma a medida em moeda de troca política para 2027.

O gesto tem timing calculado: a assinatura ocorre a três dias do debate na TV Globo, sexta-feira (23), e serve de vitrine para atrair o eleitorado de baixa renda que sente o peso da tarifa no orçamento.

Última campanha e a expansão do Pé-de-Meia

Lula declarou que esta é sua derradeira disputa presidencial. Caso eleito, o quarto mandato focaria na consolidação de programas sociais recentes. A bandeira prioritária é levar o Pé-de-Meia — hoje restrito ao ensino médio público — para estudantes universitários.

  • Criado em 2024, o programa paga incentivo pela permanência escolar.
  • A expansão ao ensino superior exigiria nova fonte de financiamento permanente.

A guerra pela abstenção: 21% do eleitorado em jogo

O recorde de 33,4 milhões de abstenções (21,08%) no primeiro turno virou o alvo estratégico. Em passeata entre Juazeiro (BA) e Petrolina (PE), Lula pediu que apoiadores batam nas portas de quem não votou — inclusive idosos acima de 70 anos, para quem o voto é facultativo.

A matemática é simples: reverter uma fração desse contingente no Nordeste pode fechar a conta no segundo turno. Mas o efeito prático depende de logística de transporte e disposição do eleitor em voltar às urnas.

O xeque do sigilo bancário e o debate de sexta

Lula reiterou o desafio feito no debate da Band: abre o próprio sigilo bancário, telefônico e da família se Flávio Bolsonaro (PL) fizer o mesmo. A campanha do PT condiciona a presença do adversário no encontro da Globo à aceitação pública da proposta.

Até o momento, a equipe de Flávio não sinalizou adesão. Se o impasse persistir, o debate de sexta-feira (23) corre risco de ter cadeira vazia — cenário que reforçaria a narrativa de “quem teme a transparência”.

Flávio Bolsonaro consolida base no Centro-Oeste

Enquanto Lula percorria o Nordeste, o candidato do PL reuniu-se com cantores sertanejos em Goiás. Gusttavo Lima e Zezé de Camargo endossaram a candidatura em evento que misturou cultura e política.

Em vídeo gravado na residência de Gusttavo Lima, Flávio elencou três eixos de desconexão com o eleitor médio: medo da violência urbana, endividamento das famílias e carga tributária. “Hoje não é mais esquerda e direita, hoje é todo mundo querendo mudança”, resumiu.

A estratégia foca na identificação cultural com o agronegócio e na pauta de segurança — temas que ressoam forte no Centro-Oeste e no Sudeste, onde a votação do PL foi expressiva no primeiro turno.

O que observar nos próximos dias

Três variáveis definirão a reta final: a tramitação inicial da PEC da Tarifa Zero no Congresso (sinal de governabilidade), a adesão ou recusa de Flávio ao desafio do sigilo (impacto no debate de sexta) e a taxa de comparecimento nos colégios eleitorais do Nordeste no dia 27. A combinação desses fatores dirá se a eleição será decidida na mobilização de base ou no voto de opinião.