Economia

Por que 12,5% pode render mais que 13,65%? O segredo do prazo

Gráfico comparando rentabilidade CDI 13,65% vs prefixado 12,5% em 5 anos
Comparativo visual: taxa prefixada pode superar CDI variável no longo prazo.

Comparar o CDI atual de 13,65% ao ano com um prefixado de 12,5% por cinco anos parece uma escolha óbvia — mas é uma armadilha. A taxa que vence no curto prazo não garante o melhor resultado no vencimento. Entender essa dinâmica separa o investidor amador do profissional.

A armadilha da comparação imediata

O CDI reflete o custo do dinheiro para um único dia útil. Embora divulgado de forma anualizada, ele acompanha a Selic e muda a cada reunião do Copom, roughly a cada 45 dias. Quem compra um título atrelado a 100% do CDI para cinco anos não sabe qual será o juro médio desse período.

Já o prefixado trava a remuneração nominal de 12,5% ao ano até o vencimento. Se a Selic cair para 8% ou subir para 18%, o combinado não muda. O preço de mercado oscila, mas o valor prometido no final permanece intocado.

O cenário onde o “perdedor” vence

Imagine R$ 100 mil aplicados por cinco anos. De um lado, o prefixado a 12,5%. Do outro, o CDI partindo de 13,65%. Supondo riscos, tributação e liquidez iguais, a matemática surpreende.

Se o juro médio real do CDI nos cinco anos convergir para 10% ao ano, o pós-fixado acumula cerca de R$ 161 mil. O prefixado entrega aproximadamente R$ 180 mil. A diferença de R$ 19 mil a favor do título que “pagava menos” no início.

E se os juros não caírem tanto?

O jogo vira se o CDI médio ficar em 13% ao ano. Nesse caso, o investimento atrelado à Selic rende cerca de R$ 184 mil, superando os R$ 180 mil do prefixado. Não é a taxa de hoje que define o vencedor, mas a trajetória acumulada durante todo o prazo.

O que o mercado já precificou

As taxas prefixadas atuais já embutem as expectativas majoritárias para a Selic futura e os prêmios de risco exigidos. Uma queda de juros que todo mundo espera não gera ganho extra para quem compra o prefixado agora — ela já está no preço.

O ganho real aparece apenas se sua projeção para o CDI médio for mais pessimista (juros menores) do a que está embutida na taxa de 12,5%. Se você espera CDI a 13%, o pós-fixado continua superior.

Três perguntas antes de decidir

  • Qual trajetória da Selic considero mais provável? Reconhecendo que choques de inflação, fiscal ou atividade podem mudar tudo.
  • Minha expectativa para o CDI médio é inferior a 12,5% ao ano? Só assim o prefixado faz sentido matemático.
  • Consigo segurar o título até o vencimento sem vender no prejuízo? Prefixado longo vendido antes da hora expõe à marcação a mercado.

A estratégia de não escolher só um

Não é preciso apostar todas as fichas em um cenário. Combinar prefixados e pós-fixados reduz a dependência de um único palpite sobre juros. A divisão ideal depende do seu horizonte de resgate, necessidade de liquidez diária e tolerância a ver o saldo oscilar no extrato.

No fim, a melhor taxa não é a maior na tela da corretora hoje. É aquela que faz sentido para o seu prazo, para o seu cenário de juros e para o risco que você topa carregar. O investidor que entende isso para de caçar rentabilidade nominal e começa a construir patrimônio real.