Justiça

Medo da volta dos Bolsonaro supera Lula pela 1ª vez; 2º turno em xeque

Gráfico da pesquisa Quaest mostra medo de volta dos Bolsonaro (44%) superando reeleição de Lula (42%) pela primeira vez
Pesquisa Quaest revela inversão inédita: 44% temem retorno dos Bolsonaro contra 42% que temem reeleição de Lula.

Pela primeira vez desde agosto, o eleitorado brasileiro teme mais o retorno da família Bolsonaro ao poder do que a reeleição de Lula, revela a nova pesquisa Quaest. A diferença é mínima — 44% contra 42% —, mas inverte uma tendência que se mantinha estável há dois meses. O cenário de segundo turno entre Flávio Bolsonaro e o petista, porém, segue em empate técnico rigoroso.

O levantamento, encomendado pela Globo e pelo jornal O Globo, ouviu 2.154 eleitores entre 17 e 20 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Os números mostram um eleitorado cada vez mais polarizado e menos confortável com as duas alternativas principais.

O medo migrou para “os dois lados”

O dado que mais chama a atenção não está nos extremos, mas no centro. O percentual de quem declara ter medo das duas possibilidades dobrou em uma semana: saltou de 3% para 6%. Paralelamente, quem diz não temer nenhum dos dois caiu de 6% para 4%.

Na prática, o eleitor indeciso ou cético em relação a ambos os polos está encolhendo. A fatia dos que rejeitam as duas opções cresce justamente quando a disputa esquenta, sugerindo um desgaste simultâneo das duas lideranças.

Simulação de segundo turno: empate técnico persiste

Quando o cenário projeta Flávio Bolsonaro (PL) contra Lula (PT) no segundo turno, a estabilidade é total. O senador aparece com 45% das intenções de voto, ante 44% do presidente. Brancos, nulos e indecisos somam 11%.

Na semana anterior, a diferença era de dois pontos (46% a 44%). A oscilação negativa de Flávio e a estabilidade de Lula mantêm a disputa dentro da margem de erro. Nenhum dos dois consegue abrir vantagem numérica consistente.

  • Flávio Bolsonaro (PL): 45% (eram 46%)
  • Lula (PT): 44% (eram 44%)
  • Branco/Nulo/Não vai votar: 9%
  • Indecisos: 2%

O termômetro dos beneficiários do Bolsa Família

O recorte mais eloquente da pesquisa está no público que recebe o Bolsa Família. Nesse grupo, o temor da volta dos Bolsonaro disparou: foi de 58% para 63% em sete dias. Ao mesmo tempo, o medo de um novo mandato de Lula recuou de 29% para 23%.

Essa movimentação indica que a base social mais dependente de transferência de renda percebe riscos mais agudos na alternativa de oposição do que na continuidade do governo atual. O “medo dos dois” nesse segmento também subiu, de 4% para 7%.

Rejeição e avaliação de governo: o peso do “não voto”

Além do medo e da intenção de voto, a Quaest mede a rejeição — ou seja, em quem o eleitor não votaria de jeito nenhum. Flávio Bolsonaro lidera com 52%, contra 47% de Lula. A diferença de cinco pontos explica, em parte, por que o senador não consegue converter o maior “medo do adversário” em vantagem nas urnas.

Na avaliação do governo, o quadro segue dividido: 47% desaprovam a gestão Lula, enquanto 46% aprovam. O empate técnico se repete, reforçando a tese de um país rachado ao meio, sem hegemonia clara de nenhum dos lados.

O que observar nas próximas semanas

A virada no “índice de medo” — com a família Bolsonaro superando Lula pela primeira vez desde meados de agosto — pode ser um ruído estatístico ou o início de uma tendência. O gatilho provável está na exposição midiática recente de Flávio Bolsonaro e na agenda do Senado.

Para investidores e estrategistas, o sinal claro é a solidez do empate técnico no segundo turno. Com rejeições altas para ambos os lados e um eleitorado que cada vez mais teme as duas opções, a volatilidade deve ditar o ritmo até 2026. O próximo dado a monitorar é a evolução da aprovação de governo: se o “desaprova” consolidar acima de 48%, a dinâmica do medo pode se traduzir, enfim, em intenção de voto decisiva.