Internacional

Canal do Panamá quebra recorde histórico: 521 milhões de toneladas em meio a caos global

Navio de grande porte atravessa o Canal do Panamá com nível baixo de água, simbolizando recorde de carga em 2026
Canal do Panamá registra recorde histórico de 521 milhões de toneladas no ano fiscal de 2026.

O Canal do Panamá acaba de registrar seu maior volume de carga da história, superando marcas anteriores mesmo sob severa estiagem. O segredo? Uma rota alternativa forçada pelo fechamento do Estreito de Ormuz.

No ano fiscal encerrado em 30 de setembro de 2026, 521 milhões de toneladas cruzaram a hidrovia em quase 14 mil navios. A receita saltou 16%, atingindo US$ 6,6 bilhões (cerca de R$ 33,2 bilhões).

O gatilho que ninguém previu

Em fevereiro de 2026, o conflito no Oriente Médio fechou o Estreito de Ormuz. Até então, 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo passavam por ali. Navios-tanque e graneleiros precisaram de rota imediata — e o Panamá estava lá.

A administradora Ilya Espino de Marotta confirmou à AFP: o “boom” de embarcações compensou, e muito, os efeitos da seca que viria meses depois.

Medida emergencial: mais navios por dia

Para absorver a demanda, a Autoridade do Canal do Panamá (ACP) elevou os trânsitos diários de 36 para 41. A autorização valeu “por um período” — tempo suficiente para aliviar a pressão logística global.

  • Trânsitos diários normais: 36 navios
  • Pico autorizado: 41 navios
  • Recorde anterior (2022): 518 milhões de toneladas
  • Novo recorde (2025/26): 521 milhões de toneladas

O preço da água doce

O alívio durou pouco. O Canal depende de dois lagos artificiais alimentados por chuvas. O El Niño secou a região no segundo semestre do ano fiscal, forçando reduções graduais no número de travessias.

Navios tiveram que reduzir calado — ou seja, carregar menos carga — para não encalhar. Ainda assim, o saldo final fechou no azul.

Por que isso importa para seu negócio

A rota de 80 km conecta Ásia (China, Japão, Coreia do Sul) à Costa Leste dos EUA. Qualquer instabilidade no Oriente Médio ou variação climática no istmo panamenho mexe no frete global, no prazo de entrega e no custo final da mercadoria.

O recorde de 2026 prova uma coisa: a resiliência logística tem limite. E esse limite é hidrológico.

O que observar daqui pra frente

Três variáveis ditam o próximo ciclo: a intensidade do El Niño em 2027, a geopolítica do Estreito de Ormuz e a capacidade da ACP de gerir o nível dos lagos sem travar o tráfego. Obras de ampliação de reservatórios já estão em discussão — mas levam anos.

Enquanto isso, cada navio que entra no Canal carrega, além de contêineres, a aposta de que a água vai durar mais um dia.