O Ibovespa Futuro abriu esta quarta-feira (21) em queda de 0,48%, aos 211.985 pontos, devolvendo parte dos ganhos da véspera. O movimento reflete cautela dupla: a expectativa pela nova pesquisa Quaest sobre o segundo turno presidencial e o início da temporada de balanços do terceiro trimestre.
WEG abre a temporada com lucro abaixo do consenso
A fabricante de motores reportou lucro líquido de R$ 1,67 bilhão no terceiro trimestre. O número ficou 2,3% aquém da estimativa média de analistas da LSEG, que projetavam R$ 1,71 bilhão.
O resultado inaugura o calendário de divulgações e serve de termômetro para o setor industrial. Investidores devem monitorar se outras companhias também entregarão números abaixo das projeções.
Fitch sinaliza desaceleração e ajuste fiscal à frente
A agência de classificação de risco afirmou que a economia brasileira deve perder fôlego neste ano e em 2024. O motivo: o peso dos juros reais elevados sobre a atividade.
Além disso, a Fitch projeta endurecimento da política fiscal no próximo ano. O cenário combina dois vetores que impactam diretamente o custo de capital e a atratividade de ativos de risco locais.
Bancos no radar: Bradesco abre a temporada financeira na quinta
O mercado volta as atenções para o balanço do Bradesco (BBDC4), previsto para após o fechamento de quinta-feira. Será o primeiro grande banco a reportar.
O foco principal recai sobre indicadores de inadimplência. O rali pós-primeiro turno melhorou o sentimento, mas a qualidade dos ativos de crédito permanece como variável-chave para a tese de investimento no setor.
- WEG (WEGE3): Lucro de R$ 1,67 bi (-2,3% vs. consenso)
- Bradesco (BBDC4): Balanço quinta-feira após fechamento
- Ibovespa Futuro: -0,48% aos 211.985 pts (9h07)
- Dólar Futuro: +0,02% a R$ 5,037
Cenário externo misto traz suporte parcial
Nos Estados Unidos, os índices futuros operavam no azul: Dow Jones +0,15%, S&P 500 +0,26% e Nasdaq +0,68%. Lucros sólidos de grandes empresas globais amparam o viés positivo, apesar das preocupações com o setor de inteligência artificial e com o mercado de Treasuries.
O petróleo acima de US$ 110 por barril e a alta nos rendimentos dos títulos americanos, contudo, injetam cautela adicional na abertura.
Ásia e commodities: sinais divergentes
O Kospi sul-coreano saltou 2,7%, recuperando perdas da sessão anterior. Em Seul, as ações da Elice Inc. dispararam 30% após uma das piores estreias de IPO da história do país.
No front de commodities, o minério de ferro fechou com leve alta na China. A recuperação dos fretes e riscos de interrupção de oferta de curto prazo contrabalançaram a demanda enfraquecida.
O que observar daqui para frente
A pesquisa Quaest, esperada para as próximas horas, pode redefinir o prêmio de risco político nas próximas sessões. Paralelamente, a safra de balanços bancários — com ênfase em provisões e NPL — ditará o tom para o setor financeiro nas próximas semanas.
No macro, a combinação de juros reais altos, expectativa de ajuste fiscal e petróleo pressionado mantém o viés de cautela estrutural. O investidor que busca posicionamento deve priorizar gestão de risco e diversificação setorial até que o cenário eleitoral e fiscal ganhe contornos mais nítidos.
