Economia

Receita da SpaceX explode 161%: o segredo por trás do salto para US$ 14,6 bi

Servidores de data center da SpaceX alugados para empresas de IA como Anthropic e Google
A divisão de nuvem da SpaceX aluga servidores para gigantes de IA, impulsionando receita recorde.

A receita trimestral da SpaceX mais que dobrou, atingindo US$ 14,6 bilhões, impulsionada por um negócio que poucos esperavam: o aluguel de data centers para concorrentes de IA. O lucro líquido saltou para US$ 4,4 bilhões, varrendo as estimativas de Wall Street.

Mas o foguete não é o protagonista desta vez. A verdadeira engrenagem por trás dos números recordes está nos servidores.

O motor oculto: alugar poder de fogo para Anthropic e Google

A divisão de computação em nuvem da empresa viu sua receita disparar nove vezes em um ano, chegando a US$ 7,6 bilhões. Só no último trimestre, o faturamento triplicou frente aos US$ 2,56 bilhões anteriores.

Desenvolvedoras de modelos como Anthropic e Google pagam valores elevados para acessar a capacidade excedente dos clusters da SpaceX. A empresa encerrou setembro com 1,7 gigawatt de potência computacional instalada.

Para efeito de comparação, a infraestrutura combinada dos dois centros de dados “Colossus” já supera a capacidade ativa da CoreWeave, maior “neonuvem” de capital aberto, registrada em junho.

Capex recorde e a aposta de 13 gigawatts

O apetite por infraestrutura exigiu investimentos pesados. Os gastos de capital (Capex) atingiram US$ 19,6 bilhões no período, acima dos US$ 18 bilhões projetados pelo mercado. A quase totalidade desse montante fluiu para IA.

Em teleconferência com investidores, Elon Musk afirmou que ficaria “surpreso” se a capacidade não atingisse 13 gigawatts até o fim de 2025. Existe, segundo ele, uma “pequena possibilidade, mas diferente de zero”, de chegar a 20 gigawatts.

  • Receita Total Q3: US$ 14,6 bi (+161% a/a)
  • Lucro Líquido: US$ 4,4 bi (prejuízo de US$ 1,1 bi em 2023)
  • Receita IA/Nuvem: US$ 7,6 bi (9x a/a)
  • Capex: US$ 19,6 bi (acima do consenso)
  • Capacidade Atual: 1,7 GW
  • Meta Fim 2025: 13 GW (potencial 20 GW)

As ações reagiram com alta de 4,5% no after-market, embora ainda negociem bem abaixo do pico pós-IPO de US$ 225, fechando o dia a US$ 148.

Starlink e lançamentos: a base recorrente

Enquanto a nuvem acelera, os pilares tradicionais mantêm a solidez. A Starlink, com sua constelação de 11 mil satélites, gerou US$ 5,2 bilhões em receita e US$ 2,4 bilhões de lucro líquido no trimestre.

O segmento de lançamentos faturou US$ 1,8 bilhão, operando no vermelho por conta dos custos de desenvolvimento. O marco recente foi o Starship: o foguete de 122 metros atingiu a órbita e entregou 26 satélites Starlink V3, que prometem multiplicar a capacidade da rede.

O próximo teste, previsto para novembro, tentará capturar ambos os estágios do foguete com os braços mecânicos “Mechzilla” — passo crítico para a reutilização total e para o sonho de data centers orbitais.

Fusão com Tesla e a fábrica de US$ 119 bilhões

O mercado especula sobre uma eventual combinação entre SpaceX e Tesla. Musk já unificou partes do império (X e xAI), e as duas empresas colaboram no “Terafab”, megaprojeto de semicondutores no Texas com custo estimado em até US$ 119 bilhões.

Questionado sobre a fusão, o executivo disse que qualquer acordo seguiria o “processo adequado”, sem dar prazos.

O que observar daqui para frente

A execução do Capex massivo determinará se a vantagem de custo na computação se sustenta. O cronograma do Starship define a viabilidade da Starlink V3 e, no limite, da economia orbital. Por fim, a estrutura societária do grupo Musk — e a possível integração de ativos de IA, lançamento e chips — pode redefinir a avaliação de todo o ecossistema nos próximos trimestres.