Justiça

O segredo que ninguém conta sobre a lei que muda tudo nas redes sociais…

Pais monitorando smartphone de criança com ícones de redes sociais e símbolo legal da Lei 15.211/2025 sobre controle parental obrigatório
Nova lei exige ferramentas gratuitas de supervisão parental nas redes sociais a partir de 2027.

A diretora da ANPD, Miriam Wimmer, avisou: a supervisão parental deixou de ser opcional e virou exigência legal. O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (Lei nº 15.211/2025) obriga plataformas a oferecer ferramentas gratuitas de controle — e a fiscalização real começa em 2027.

Mas a maioria dos pais ainda não sabe como usar esses mecanismos. O que está em jogo não é apenas tempo de tela.

A “rua perigosa” que entra na sala de casa

Durante evento no TCU, Wimmer fez uma comparação direta: deixar uma criança sozinha na internet equivale a deixá-la andar desacompanhada em uma rua perigosa. “Não faz sentido que eu possa deixá-lo desacompanhado”, afirmou a doutora em políticas de comunicação.

O ECA Digital nasceu de negociação entre setores diversos e espectros políticos opostos. O objetivo único: proteger grupos vulneráveis sem matar a liberdade de expressão nem o acesso à informação.

O Brasil escolheu não proibir redes sociais para menores. Optou por pontos de controle.

O que a lei exige das plataformas — e de você

A legislação estabelece obrigações claras para provedores de serviços digitais:

  • Mecanismos de supervisão parental gratuitos e acessíveis
  • Vinculação obrigatória de contas de menores de 16 anos aos responsáveis
  • Verificação etária que vá além da autodeclaração
  • Requisitos mínimos de segurança contra práticas manipulativas

A ANPD define o que conta como “prática manipulativa”: uso excessivo problemático, design viciante, coleta excessiva de dados. Tudo passível de sanção.

O pilar que falta amadurecer

Para Wimmer, o Estado e as empresas já têm deveres definidos. O gargalo está dentro de casa. “Não adianta ter um ambiente ricamente protetivo se os responsáveis entregam celular na mão do filho de 7 anos para que faça o que bem entender.”

A diretora defende que os mecanismos de controle coexistam com privacidade. Não se troca um risco por outro — vigilância excessiva também fere direitos fundamentais.

Os números que assustam

Cristina Carvalho Pinto, presidente do Conselho da ABCD, trouxe dados duros no mesmo evento: 40% das crianças e adolescentes brasileiros já sofreram cyberbullying. A estimativa aponta 16 milhões de vítimas apenas no país.

Outra pesquisa recente mostrou que 82% dos brasileiros são contra crianças de até 3 anos com celular próprio. A pressão social existe. A ferramenta legal existe. O elo faltante é a adoção prática.

O que observar daqui para frente

O cronograma prevê fiscalização efetiva da ANPD a partir de 2027. Até lá, plataformas precisam adequar arquitetura, termos de uso e fluxos de verificação de idade. Pais e responsáveis precisam aprender a ativar e configurar os controles — a lei garante o direito, mas não aperta o botão por ninguém.

O WhatsApp já lançou regras de controle parental no Brasil. Outras redes seguirão. Quem antecipar a curva evita multas, protege a base de usuários e, no caso das famílias, reduz exposição real a riscos documentados.

A pergunta que fica: sua empresa — ou sua casa — já está pronta para o que vem em 2027?