Cultura

Globo fecha com dona do MasterChef e Band fica no fio da navalha…

Logos da Globo e Band com logotipo do MasterChef ao centro, simbolizando disputa por direitos de exibição
Globo fecha acordo prioritário com Endemol Shine e coloca renovação do MasterChef na Band em xeque.

A Globo garantiu prioridade exclusiva sobre todo o catálogo da Endemol Shine Brasil — produtora por trás do MasterChef, do The Voice e de dezenas de outros formatos globais. O acordo, assinado nos últimos dias, tira da Band a tranquilidade de renovar seu maior sucesso de audiência nos últimos dez anos.

A emissora dos Saad exibe a versão brasileira do MasterChef desde 2014. Agora, cada nova temporada depende de uma negociação onde o concorrente direto tem o direito de passar a frente.

O que muda na prática para a grade da Band

Até a semana passada, a Band negociava temporadas e spin-offs direto com a Endemol. A partir de agora, a Globo tem direito de primeira recusa sobre qualquer formato da produtora no território nacional. Se a líder de mercado quiser levar o MasterChef para sua grade, a Band sequer entra na disputa.

O contrato não extingue automaticamente a exibição na Band. Mas transforma cada renovação em um cenário de incerteza. A emissora precisa torcer para que a Globo não tenha interesse no formato — ou aceitar condições impostas por quem detém a prioridade.

Números que explicam o tamanho do risco

  • 10 anos de MasterChef na Band (estreia em 2014)
  • 11 temporadas exibidas, entre versões amadores, profissionais e junior
  • Décadas de liderança no horário nas noites de terça-feira
  • Dezenas de formatos da Endemol agora sob prioridade da Globo

O MasterChef não é apenas um programa de culinária. É a âncora que sustenta a noite de terça da Band, atrai anunciantes premium e entrega audiência que a emissora não consegue replicar com produções próprias.

O efeito cascata nos outros formatos

O alerta não se limita ao MasterChef. A Endemol Shine controla direitos de formatos como Deal or No Deal (Topa ou Não Topa), The Voice, Big Brother (em parceria), Wipeout e dezenas de realities e game shows ainda não explorados no Brasil.

Qualquer um desses títulos, se a Globo decidir produzir, sai do alcance da Band. A emissora perde não só o que já exibe, mas o que poderia exibir no futuro.

Por que a Globo fez esse movimento agora

A líder de audiência vem acelerando a aquisição de bibliotecas de formatos internacionais. O objetivo é duplo: blindar a grade contra a concorrência de streaming e ocupar espaços nobres com marcas já testadas globalmente.

A parceria com a Endemol Shine Brasil — joint venture entre a Endemol Shine Global e a própria Globo — existia havia anos. O que mudou é a cláusula de prioridade total, que antes valia para projetos selecionados e agora cobre o catálogo inteiro.

Cenários para os próximos meses

A Band tem três caminhos diante da nova realidade:

  • Renovar rápido: fechar temporadas plurianuais antes que a Globo manifeste interesse
  • Investir em próprios: acelerar desenvolvimento de formatos originais para reduzir dependência
  • Buscar novos parceiros: aproximar-se de outras produtoras internacionais (Banijay, ITV, Sony Pictures Television)

Fontes do mercado indicam que a Band já iniciou conversas para blindar ao menos duas temporadas adicionais do MasterChef. Mas o poder de fogo financeiro da Globo na negociação é desigual.

O que observar daqui para frente

O primeiro termômetro será a definição do MasterChef 2025. Se a Band anunciar a renovação nos próximos 60 dias, sinaliza que conseguiu costurar uma proteção contratual. Se o silêncio se estender, o mercado lerá como sinal de que a Globo está avaliando levar o formato para sua grade — seja na TV aberta, no Globoplay ou em ambos.

Para anunciantes e agências, a lição é clara: nenhum ativo de programação é permanente. Contratos de longa duração e cláusulas de preferência passam a valer mais que a tradição de uma década no ar.