Economia

WEG, Bradesco e Romi abrem 3T26: o que os números escondem

Logos WEG, Bradesco, Romi e Bradsaúde sobre gráfico financeiro representando início temporada balanços 3T26
Gigantes como WEG e Bradesco abrem a temporada de resultados do 3T26 esta semana.

Quatro gigantes abrem a temporada de balanços do terceiro trimestre de 2026 nesta semana. O que eles revelarem vai ditar o ritmo do mercado nos próximos meses.

WEG, Bradesco, Romi e Bradsaúde são os primeiros a mostrar as cartas. Cada um carrega um termômetro diferente da economia real.

O calendário que move o mercado

A agenda concentra pesos-pesados em dias consecutivos. Na terça-feira, a WEG abre os trabalhos após o fechamento. Quarta traz Bradesco e Romi no mesmo horário. Bradsaúde fecha o ciclo na quinta.

Não é apenas uma questão de datas. A ordem importa: industrial, financeiro, bens de capital, saúde. Setores que raramente andam juntos.

  • Terça (28/10): WEG — após pregão
  • Quarta (29/10): Bradesco e Romi — após pregão
  • Quinta (30/10): Bradsaúde — após pregão

WEG: a prova de fogo da indústria global

A fabricante de motores e equipamentos elétricos virou proxy de crescimento global. Seu guidance para 2026 previa receita líquida entre R$ 38 e R$ 42 bilhões. O 3T26 dirá se a banda superior segue alcançável.

Analistas projetam Ebitda ajustado na casa de R$ 5,8 bilhões no trimestre. Margem operacional acima de 18% confirmaria a tese de ganho de eficiência mesmo com câmbio volátil.

O ponto cego: exposição à China e à Europa. Qualquer sinal de desaceleração nesses mercados pesa mais que o resultado doméstico.

Bradesco: o termômetro do crédito brasileiro

O banco carrega a responsabilidade de mostrar se o ciclo de corte de juros já chegou ao balanço. A carteira de crédito expandida deve crescer entre 8% e 11% no ano, segundo guidance.

O índice de inadimplência acima de 90 dias fechou o 2T26 em 3,7%. Qualquer alta acima de 20 pontos-base no trimestre acende alerta. O custo de risco segue como variável-chave.

Mas o efeito mais relevante aparece na receita de serviços. Cartões, consórcio e seguros precisam compensar a compressão do spread bancário.

Romi e Bradsaúde: dois lados do investimento

A Romi entrega a leitura mais direta sobre formação bruta de capital fixo. Pedidos de máquinas-ferramenta e injetoras de plástico antecipam o apetite industrial por expansão.

No 2T26, a entrada de pedidos caiu 12% na comparação anual. Uma reversão no 3T26 sinalizaria que o ciclo de investimento parou de derrapar.

Bradsaúde, por sua vez, testa a resiliência do setor de saúde suplementar. Sinistralidade controlada e adição de vidas são as métricas que separam operadoras preparadas das expostas.

Outros nomes no radar da semana

Além do quarteto principal, Unifique, M.Dias Branco e Caixa Seguridade também divulgam números. A operadora de telecom regional mostra se a expansão de fibra sustenta margem. A fabricante de alimentos revela se o repasse de custos ao varejo segurou rentabilidade. A seguradora expõe o efeito da nova regra contábil IFRS 17 no resultado.

O que observar daqui pra frente

A semana define o tom para as dezenas de balanços que seguem em novembro. Três variáveis merecem monitoramento contínuo: evolução da inadimplência no varejo bancário, trajetória de margem industrial com câmbio apreciado e capacidade de repasse de custos no consumo não discricionário.

Quem lê apenas o lucro líquido perde o sinal. O detalhe está nas notas explicativas, na evolução do capital de giro e no guidance revisado — ou não — para o 4T26.