Economia

O segredo que ninguém conta: bolha da IA pode fazer Bitcoin explodir…

Arthur Hayes aponta gráfico conectando bolha de IA e Bitcoin com impressão de dinheiro ao fundo
Arthur Hayes prevê que resgates bilionários de IAs forçarão impressão de moeda, beneficiando o Bitcoin.

Arthur Hayes, diretor de investimentos da Maelstrom, acredita que o estouro da bolha da inteligência artificial pode se tornar o maior catalisador do Bitcoin nos próximos meses. A lógica é contraintuitiva: resgates bilionários de empresas como OpenAI e Anthropic forçariam o governo a imprimir dinheiro, disparando a inflação e empurrando capital para ativos de refúgio. Mas será que o mercado está pronto para esse cenário?

Por que Hayes aposta no caos da IA

Hayes argumenta que as grandes empresas de IA ainda não geram lucro real para justificar suas avaliações estratosféricas. Quando a correção vier, Washington não deixará nomes como SpaceX, OpenAI e Anthropic quebrarem. O resultado? Injeção massiva de liquidez, desvalorização do dólar e busca desesperada por proteção de patrimônio.

O Bitcoin, nessa visão, funciona como um seguro contra a irresponsabilidade fiscal. Ouro e BTC seriam os destinos naturais para quem foge da perda de poder de compra.

O teste de fogo já aconteceu

Nesta semana, o Bitcoin segurou os 80.000 dólares enquanto ações de chips e big techs despencaram. As vendas no setor tecnológico foram de duas a cinco vezes mais intensas que nas criptomoedas. Essa resiliência relativa não prova a tese de Hayes, mas sugere que o ativo já começa a se comportar como reserva de valor em momentos de estresse.

Dívida americana de 40,3 trilhões: o motor invisível

O pano de fundo é uma dívida pública que não para de crescer, independentemente do partido no poder. Um resgate do setor de IA adicionaria mais lenha à fogueira. Ceteris Paribus, da Delphi Research, resume: a depreciação monetária causada pela dívida e por um eventual “esquema Ponzi da IA” gera fluxos significativos para o BTC.

Dados da Fidelity reforçam a conexão: a correlação entre Bitcoin e rendimentos dos Treasuries de 10 anos atingiu 0,6. Nos últimos dois meses, os yields subiram 10% e o BTC avançou 30%. Se os juros da dívida se tornarem a maior despesa federal, a busca por alternativas ao dólar só tende a acelerar.

Os riscos que ninguém ignora

Nem tudo são flores. Dois obstáculos concretos freiam o otimismo:

  • Ameaça quântica: avanços do Google em computação quântica podem, no longo prazo, fragilizar a criptografia que sustenta o Bitcoin.
  • Saídas de ETFs: fundos à vista nos EUA registraram saídas de 228 milhões de dólares na última semana — segunda semana consecutiva de retiradas em outubro.

Esses sinais mostram que a demanda institucional ainda hesita, mesmo com o cenário macro favorável.

O que observar daqui para frente

A Glassnode aponta uma desaceleração na realização de lucros, o que pode indicar formação de piso na região dos 80 mil dólares. Mas confirmação duradoura depende de três variáveis: fluxo de volta nos ETFs, trajetória dos yields americanos e eventuais anúncios de apoio federal ao setor de IA. Se o governo abrir os cofres para salvar a bolha, o palco estará montado. A pergunta que fica: o Bitcoin estará pronto para assumir o papel de porto seguro global?