A semana decisiva antes do segundo turno de 2026 abre com uma enxurrada de dados de inflação e o clima político em ponto de ebulição. O IGP-10 de outubro vem com previsão de alta forte de 1,44%, enquanto o debate entre Lula e Flávio Bolsonaro deixou propostas econômicas em segundo plano. O que essa combinação significa para a precificação de ativos nos próximos cinco dias?
O choque de inflação na largada da semana
A agenda macroeconômica não dá trégua. Logo cedo, o IPC-Fipe e o IGP-10 de outubro chegam ao mercado. A expectativa consensual aponta para uma aceleração mensal de 1,44% no IGP-10, pressionado pelo ciclo das commodities e pelo repasse cambial recente.
Mais tarde, o Boletim Focus atualiza as projeções de Selic e IPCA para 2024 e 2025. Em paralelo, a balança comercial semanal sinaliza se o superávit comercial mantém o fôlego. Três dados sensíveis em poucas horas tendem a ditar a curva de juros futuros ainda pela manhã.
Eleição na reta final: pesquisas e o debate que virou ringue
Faltando menos de sete dias para a votação, AtlasIntel e PoderData divulgam novos números de intenção de voto. O mercado precifica a volatilidade: qualquer movimento fora da margem de erro reage nos contratos de dólar e DI.
O encontro de domingo na Band, porém, consumiu o oxigênio da campanha. Lula e Flávio Bolsonaro trocaram acusações diretas — R$ 134 milhões em recursos de filme, imóvel de R$ 10 milhões, sigilos bancários e a reunião com Daniel Vorcaro. Propostas concretas ficaram restritas a brechas entre os ataques pessoais.
Propostas que mexem no bolso: dívida, saúde e tarifa zero
Apesar do tom belicoso, três medidas concretas emergiram do confronto e da agenda oficial de campanha:
- Congelamento de dívidas: Flávio propõe que o Tesouro compre carteiras podres dos bancos com desconto, concedendo carência de 6 meses para pessoas físicas e 1 ano para empresas.
- “Padrão Einstein” no SUS: Claudio Lottenberg, ex-presidente do Hospital Albert Einstein, é o nome cotado para o Ministério da Saúde em eventual governo PL.
- PEC do Transporte Grátis: Lula deve encaminhar ao Congresso, já nesta semana, a Proposta de Emenda Constitucional que garante gratuidade no transporte urbano aos finais de semana, financiada com recursos de emendas parlamentares.
O fim da escala 6×1 e a rede de proteção às empresas
Mas o efeito mais relevante para o setor produtivo aparece em outra frente. O ministro Dario Durigan admitiu que o fim da escala 6×1 gera ônus — ainda que classifique como “minoritário”, já que 70% dos trabalhadores já atuam em 5×2.
Para mitigar o impacto, o governo estuda uma linha de crédito específica voltada a empresas afetadas, focada em capacitação, inovação e ganhos de produtividade. O desenho do instrumento ainda não foi detalhado, mas a sinalização remove parte da incerteza sobre custos trabalhistas imediatos.
Radar internacional: IA nas urnas dos EUA e avanço russo
Lá fora, o FBI e a CISA alertam para golpes baseados em inteligência artificial visando as eleições legislativas americanas de novembro. Hackers podem usar mensagens e e-mails falsos para roubo de credenciais — um risco de desinformação que respinga na confiança global.
Na Ucrânia, a Rússia anuncia a captura de Dobropillia, em Donetsk. A cidade fica a sudoeste de Kramatorsk e Sloviansk, hubs logísticos essenciais. A Ucrânia não confirma a perda, mas o avanço russo segue no radar de commodities energéticas e agrícolas.
O que observar daqui para frente
A convergência entre dados de inflação acima do conforto e incerteza eleitoral máxima mantém o prêmio de risco elevado. Investidores devem monitorar: a reação da curva de juros ao IGP-10 e ao Focus; a próxima rodada de pesquisas (Datafolha/Quemnem) para medir se o debate moveu o ponteiro; e a tramitação relâmpago da PEC do transporte gratuito, que pode alterar a dinâmica fiscal de curto prazo. A liquidez segue reduzida até o dia 26 — posições táticas exigem stop curto e atenção redobrada ao noticiário político.
