Cultura

O segredo por trás do documentário de Elizabeth Holmes: por que o parceiro arriscou tudo

Billy Evans, parceiro de Elizabeth Holmes, em entrevista no podcast All-In sobre documentário You Can See Everything
Billy Evans explica por que aceitou participar do documentário da A24 sobre os últimos dias de Elizabeth Holmes antes da prisão.

Billy Evans, parceiro de Elizabeth Holmes e pai de seus dois filhos, revelou no podcast All-In a razão real por trás de You Can See Everything. O documentário da A24 acompanha a fundadora da Theranos nos 34 dias anteriores à sua prisão de 11 anos por fraude.

Evans admite: Holmes “parece maluca” no trailer. A trilha sonora lembra filme de terror. Ainda assim, ele defende a decisão — e confessa que ainda não assistiu ao resultado final.

O argumento que ninguém esperava

Segundo Evans, a motivação não foi reabrir o caso nem limpar a imagem dela. A justificativa é mais simples: ela estava impedida de falar. Qualquer manifestação pública violaria as condições do processo. O material só seria lançado após o período de silêncio forçado.

“Muita gente já contou a história dela. A narrativa está consolidada. A ideia era mostrar quem ela é e deixar que as pessoas tirem suas próprias conclusões”, explicou no podcast.

O teste da “convivência natural”

Evans descreve um padrão que se repetiu com sua família e amigos mais próximos. Todos, sem exceção, acharam que ele estava louco ao se envolver com Holmes. A reação inicial era idêntica: “Você sabe quem ela é?”.

O convite dele: apenas conheçam-na. Em caminhadas, em momentos cotidianos, ajudando conhecidos. O resultado? Todas as pessoas mudaram radicalmente de opinião após o convívio direto.

O documentário tenta escalar essa experiência. Substituir o julgamento mediado por manchetes por algo mais próximo da observação direta.

O tiro pode ter saído pela culatra

A recepção do trailer sugere o oposto. O público tende a ver Holmes como sinistra e manipuladora. A edição, a música, o enquadrado — tudo reforça a imagem de uma pessoa instável.

Evans reconhece: “Ela realmente parece insana. A música especialmente parece de terror.” Ele não nega a impressão. Apenas contextualiza: o que o espectador vê é um recorte, não a pessoa que ele convive diariamente.

O risco pessoal e a incerteza final

Evans ainda não viu o filme completo. Sua frase resume a vulnerabilidade da aposta:

“Eu posso acabar pensando que foi a coisa mais burra que já fiz.”

Ele diz não estar nervoso — “já passei por experiências intensas e surreais que precisam de mais do que isso para elevar minha pressão”. Mas admite “uma certa preocupação”. No fim, define: “é a nossa decisão”.

O que observar daqui para frente

  • Estreia no Brasil: ainda sem data confirmada pela A24
  • Reação crítica: o filme lidera avaliações no Letterboxd, mas o público geral diverge
  • Impacto jurídico: Holmes cumpre pena de 11 anos e 3 meses; o documentário não altera o processo
  • Posicionamento de Evans: se ele verá o filme publicamente ou fará novas declarações

A aposta de Evans foi radical: expor a intimidade de uma condenada por fraude bilionária para humanizá-la. O resultado, porém, escapa ao controle de quem filmou. O público decide o que vê — e o veredito, até agora, não favorece a ré.