Cultura

Aos 55 anos, musa dos anos 90 recomeça como massagista após crise psiquiátrica

Regininha Poltergeist, símbolo de sensualidade nos anos 90, voltou a atender como massoterapeuta no Rio de Janeiro depois de receber alta de uma internação psiquiátrica. Aos 55 anos, a ex-atriz tenta reconstruir a rotina longe dos holofotes, equilibrando tratamento de saúde mental e sobrevivência financeira. O que parecia um fim de linha virou um novo capítulo — e ele não segue o roteiro esperado.

O retorno que ninguém previu

Em março deste ano, Regina Soares deixou o CAPS Clarice Lispector, na Zona Norte carioca, onde ficou internada. A alta marcou o fim de um ciclo de instabilidade que a levou, em 2022, a morar de favor em um posto de gasolina. Dias depois, ela usou as redes sociais para confirmar: está bem, medicada e de volta ao trabalho.

“Aceitei seguir o tratamento com a medicação, o que tem contribuído para a minha recuperação gradual”, escreveu no Instagram. A frase resume uma virada: pela primeira vez em anos, a adesão ao acompanhamento médico não foi imposta, mas escolhida.

Da TV para a rua: a queda livre

Famosa por novelas, filmes e discos, Regininha acumulou cinco imóveis perdidos ao longo da vida. Antes da internação mais recente, a artista tentou de tudo para se manter: vendeu empadas no Méier, preparou quentinhas e atuou como personal organizer.

Em publicações de 2025, ela divulgava os quitutes com orgulho: “A empada de camarão é camarão de verdade”. O tom era de quem não tem vergonha do recomeço — ainda que o contraste com o passado de capa de revista seja brutal.

O peso do estigma e a força da autonomia

O histórico inclui passagens pelo Instituto Municipal Philippe Pinel, em Botafogo, referência em saúde mental no Rio. Cada internação expôs a fragilidade de um sistema que ainda trata a doença psiquiátrica como falha de caráter, especialmente quando o paciente já foi “alguém importante”.

Mas a narrativa mudou quando ela assumiu o controle da própria divulgação. Ao anunciar as massagens terapêuticas e relaxantes no perfil oficial, Regininha transformou a vulnerabilidade em ferramenta de trabalho. Não há pedido de pena — há oferta de serviço.

O que observar daqui para frente

A sustentabilidade desse recomeço depende de três variáveis: regularidade no tratamento, fluxo de clientes e rede de apoio que não se limite a likes. A alta do CAPS não é cura; é permissão para tentar viver fora da instituição.

Para quem acompanha à distância, resta torcer para que a massoterapeuta Regina Soares consiga o que a musa Regininha Poltergeist nunca teve: estabilidade sem aplausos.