Tecnologia

O segredo de 25 anos da NSA que uma IA resolveu em 30 minutos…

IA Claude decifra mistério criptográfico da NSA de 25 anos em 30 minutos
Inteligência artificial resolve enigma das curvas elípticas que intrigava criptógrafos desde 2000.

O modelo Claude, da Anthropic, identificou em menos de meia hora a origem de cinco números misteriosos que a NSA entregou ao NIST em 2000 — um enigma que criptógrafos perseguiam há 25 anos. A descoberta não quebra nenhuma cifra nem ameaça o Bitcoin, mas muda radicalmente a narrativa sobre possíveis portas dos fundos nas curvas elípticas padronizadas.

O que isso revela sobre a forma como a IA está começando a auditar a infraestrutura criptográfica global?

O que eram aquelas “seeds” afinal

No fim dos anos 1990, a agência de segurança americana forneceu valores numéricos — chamados seeds — usados para gerar as curvas P-192, P-224, P-256, P-384 e P-521. Ninguém sabia como foram escolhidos. O silêncio alimentou teorias: a NSA teria testado milhares de parâmetros até encontrar uma fraqueza só ela conhecia?

Um funcionário da Anthropic pediu ao Claude para investigar, sem dar a hipótese predominante (um hash de frase escolhida pelo matemático Jerry Solinas). A IA foi por outro caminho.

O gerador esquecido de 1997

Claude examinou geradores pseudoaleatórios das bibliotecas C da época. Em minutos, encontrou a assinatura do lrand48, um gerador linear simples. Reconstruiu seu estado interno e provou: as seeds vieram dali, inicializadas com timestamps Unix entre maio de 1997 e abril de 1998.

Para a curva P-256, a seed publicada corresponde ao 1.842º candidato gerado sequencialmente. Nenhuma busca exaustiva por fraqueza; apenas o próximo número válido que o programa cuspiu.

  • Período dos timestamps: maio/1997 a abril/1998
  • Gerador identificado: lrand48 (bibliotecas C antigas)
  • Curvas explicadas: P-192, P-224, P-256, P-384, P-521
  • Tempo de análise do Claude: <30 minutos

O que muda — e o que não muda

A Anthropic considera agora “muito menos crível” a hipótese de seleção maliciosa. Mas pontas soltas permanecem: a seed da curva B-163 resiste, alguns candidatos válidos foram ignorados sem razão documentada e a origem dos pontos base (base points) segue inexplicada.

Nenhum sistema precisa trocar chaves. O Bitcoin usa secp256k1, não P-256; sua curva tem parâmetros simples que deixam pouca margem para manipulação oculta. A segurança atual da rede não é afetada.

Por que isso importa para quem opera com cripto

Uma IA explorou em dezenas de minutos uma pista que humanos perseguiam há décadas: detectou estrutura estatística, testou geradores legados, aplicou redução de redes e verificou por cálculo. O prêmio de US$ 36.864 prometido pela solução irá para o Internet Security Research Group (por trás do Let’s Encrypt).

O caso sinaliza uma mudança de era: auditoria criptográfica assistida por IA deixa de ser teórica e vira ferramenta operacional. O próximo vetor de risco real segue sendo o avanço quântico — o processador Willow do Google deu mais um passo, embora ainda longe de quebrar assinaturas ECDSA hoje.

O que observar daqui para frente

Espere que grandes padronizadores (NIST, IETF, consórcios blockchain) comecem a exigir trilhas de geração reproduzíveis por IA para novos parâmetros. Se você gerencia infraestrutura que depende de curvas NIST, documente a proveniência dos parâmetros agora — a barreira para auditorias retroativas acabou de cair.