A Toyota encerrou as atividades de sua fábrica em Indaiatuba (SP) em 30 de junho de 2026, encerrando um ciclo de 28 anos e mais de 1 milhão de Corollas produzidos. A decisão afeta diretamente 1,5 mil trabalhadores, mas não sinaliza recuo: a montadora, líder mundial de vendas pelo sexto ano seguido com 11,3 milhões de unidades em 2025, prepara uma reestruturação bilionária no país. O que parece um fim esconde, na verdade, uma aposta agressiva no futuro híbrido.
O último Corolla e o fim de um ciclo
A unidade de Indaiatuba nasceu em setembro de 1998 e foi a casa exclusiva do Corolla Sedan no Brasil, além da perua Fielder. O último veículo a deixar a linha, em 19 de junho, foi um Corolla Hybrid Altis Premium — símbolo da transição tecnológica que motiva a mudança.
A desativação não foi abrupta. Anunciada em 2024, envolveu a transferência de equipamentos e negociações intensas com o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, incluindo uma greve no ano passado. A produção do sedã já migrou para o complexo de Sorocaba, onde a marca concentra sua nova estratégia industrial.
O destino dos 1.500 funcionários: dois caminhos negociados
Não houve demissão em massa automática. A Toyota e o sindicato fecharam um acordo que deu ao trabalhador poder de escolha entre a continuidade e o desligamento premiado. Cerca de 150 profissionais optaram pela transferência; os demais aderiram ao PDV (Programa de Demissão Voluntária) ou tiveram contratos temporários encerrados.
Os números do acordo mostram o custo da transição para a empresa:
- PDV: Indenização de 45 salários + 2 salários por ano de casa + verbas rescisórias + benefícios (saúde e alimentação) mantidos por 36 meses.
- Transferência para Sorocaba: Estabilidade garantida até julho de 2029.
- Bônus de mudança: R$ 15 mil + 2 salários (quem não muda de cidade) ou 2,4 salários (quem muda).
- Janela de arrependimento: 7 meses para pedir desligamento mantendo o pacote negociado (com descontos previstos).
R$ 11 bilhões e a fábrica que nasce em novembro
Enquanto uma porta se fecha, outra se abre a 60 km dali. A Toyota confirmou R$ 11 bilhões em investimentos até 2030, com a inauguração de uma segunda fábrica em Sorocaba prevista para novembro de 2026. O complexo unificará linhas, reduzirá custos logísticos e será o hub da eletrificação flex da marca na América do Sul.
A aposta é clara: híbridos flex. A nova estrutura nasce preparada para essa demanda, absorvendo a produção do Corolla e abrindo espaço para futuros modelos eletrificados. A unidade de motores em Porto Feliz segue operando normalmente, garantindo a cadeia de suprimentos local.
O que observar daqui para frente
A projeção é de 2 mil novos empregos diretos até 2030, além de milhares de vagas indiretas na cadeia de fornecedores. Para o executivo ou investidor, o sinal é de consolidação: a maior fabricante do mundo troca uma operação legada por um complexo moderno, mais enxuto e alinhado à descarbonização. O termômetro agora é a velocidade da curva de adoção do híbrido flex no mercado brasileiro e a capacidade de Sorocaba entregar volume com a nova configuração logística.
