Economia

R$ 5,8 bi esquecidos nos bancos: será que parte é seu?

Brasileiros deixaram R$ 5,8 bilhões parados em instituições financeiras até agosto — um aumento de 2,6% sobre julho. O dinheiro pertence a 26,3 milhões de CPFs e CNPJs que ainda não fizeram o resgate.

O volume voltou a crescer, mas continua bem abaixo dos R$ 10 bilhões registrados antes da transferência de saldos não reclamados para o Fundo Garantidor de Operações (FGO), que financia o programa Desenrola Brasil. Desde o lançamento do sistema, o Banco Central já devolveu R$ 16,47 bilhões aos donos legítimos.

Onde o dinheiro está escondido

Bancos tradicionais concentram a maior fatia: R$ 2,46 bilhões. Administradoras de consórcio aparecem em segundo, com R$ 1,97 bilhão, seguidas pelas cooperativas de crédito (R$ 805,6 milhões).

O restante se distribui entre instituições de pagamento (R$ 369,6 milhões), financeiras (R$ 121 milhões), corretoras e distribuidoras (R$ 68 milhões) e outras entidades (R$ 5 milhões).

Perfil dos beneficiários: valores quase sempre pequenos

Não espere fortunas. O levantamento do BC mostra que a esmagadora maioria tem quantias modestas a receber:

  • Até R$ 10: 69,44% dos beneficiários
  • R$ 10,01 a R$ 100: 18,95%
  • R$ 100,01 a R$ 1.000: 9,39%
  • Acima de R$ 1.000: apenas 2,21%

Ou seja, sete em cada dez pessoas têm direito a, no máximo, uma nota de dez reais. Ainda assim, somados, esses valores movimentam bilhões.

De onde vêm esses recursos?

O sistema reúne saldos esquecidos por motivos variados: contas correntes ou poupança encerradas com dinheiro, tarifas cobradas indevidamente, cotas de cooperativas de crédito, valores de grupos de consórcio encerrados não procurados, contas de pagamento fechadas com saldo e contas de registro de corretoras.

Qualquer pessoa física ou jurídica que já teve relacionamento com banco, financeira, consórcio ou cooperativa pode ter valores a receber — inclusive herdeiros de falecidos, mediante termo de responsabilidade e acesso via Gov.br do sucessor.

Como consultar e resgatar em poucos passos

A consulta é gratuita e feita exclusivamente no site do Banco Central. O acesso exige conta Gov.br nível prata ou ouro com verificação em duas etapas.

  1. Acesse o portal do SVR no site do BC
  2. Informe CPF ou CNPJ e data de nascimento/abertura
  3. Se houver valores, clique em “Acessar o SVR” e faça login no Gov.br
  4. Aceite o Termo de Ciência e siga as orientações de transferência

Quem preferir não repetir o processo sempre que surgir novo valor pode ativar a “Solicitação automática de resgate” na mesma área logada — o crédito cai direto na conta indicada.

O que observar daqui para frente

O estoque disponível oscila mensalmente: sobe quando instituições reportam novos saldos, cai quando donos resgatam. A tendência é de crescimento gradual, já que a base de cadastros do sistema ainda não cobre todo o universo de relacionamentos financeiros passados. Para empresas, o ticket médio costuma ser mais alto — vale checar o CNPJ do negócio mesmo que o CPF do sócio já tenha sido consultado. Programe uma verificação trimestral; o processo leva menos de dois minutos e pode evitar que seu dinheiro migre definitivamente para o FGO.