Economia

PL abocanha R$ 2,3 mi de empresários pós 1º turno; PT fica com 3,7% desse valor

Gráfico de barras mostra PL com R$ 2,3 mi e PT com R$ 85 mil em doações pós 1º turno
PL arrecadou 27 vezes mais que PT de doadores pessoas físicas após primeiro turno.

O Partido Liberal embolsou R$ 2,3 milhões de doadores pessoas físicas nos dias seguintes ao primeiro turno, enquanto o PT declarou apenas R$ 85 mil no mesmo período — uma diferença de 27 vezes. Os recursos vieram de setores que dependem de concessões públicas ou vivem sob regulação pesada: finanças, combustíveis, mineração e infraestrutura.

A dinâmica expõe um padrão: grandes aportes fluem para as legendas, não para os candidatos, mantendo os nomes fora das prestações de contas individuais. Mas o que esse movimento sinaliza para quem opera nesses mercados?

De onde vem o dinheiro e para onde ele aponta

Os depósitos ao PL concentraram-se em quatro nomes de peso. A gestora Perfin colocou R$ 1 milhão via dois sócios; o grupo paranaense de postos Potencial, R$ 600 mil; diretores do Banco Mercantil, R$ 200 mil; e dois controladores de mineradoras, R$ 400 mil no total. Em contrapartida, o PT recebeu aportes de cinco executivos do setor sucroalcooleiro, incluindo o presidente do conselho da Única, que doou às duas legendas.

  • Finanças: Perfin (R$ 1 mi) e Banco Mercantil (R$ 200 mil)
  • Combustíveis: Grupo Potencial (R$ 600 mil)
  • Mineração: Flapa e Tramix (R$ 200 mil cada)
  • Agroenergia: Executivos da Única/Raízen (R$ 85 mil ao PT; R$ 800 mil ao PL no 1º turno)

Procurados, Perfin e Potencial não quiseram comentar. O Banco Mercantil afirmou que as doações partiram dos sócios em caráter pessoal, sem envolver recursos da instituição.

O atalho das doações partidárias

Doar ao partido em vez do candidato virou a rota preferida de grandes contribuintes. O dinheiro cai em contas da sigla, não na campanha nominal, e é reportado em sistema à parte. Na prática, reduz a transparência imediata para o eleitor e concentra poder de distribuição nas cúpulas partidárias.

Essa engenharia permite que setores regulados — mineradoras, distribuidoras de combustível, bancos — acessem as estruturas de poder sem expor diretamente o vínculo com um nome na urna. O PT, por sua vez, manteve o fluxo concentrado no agroenergético, setor que dialoga diretamente com pautas de biocombustíveis e renováveis.

O que o primeiro turno já havia desenhado

A escalada não começou agora. Em setembro, o PL já havia recebido R$ 2,5 milhões de Frederico Gerdau Johannpeter, mais R$ 750 mil de familiares. A maior doação direta a candidato no período foi de Angela Fortunato (R$ 1 milhão), esposa do controlador do Grupo OCQ. Luiz da Rocha Salles Filho, ex-sócio da OAS, colocou outro milhão.

Do lado petista, o teto foi de R$ 500 mil (Sérgio Resende, fundador da Locamerica/Localiza), que também destinou R$ 300 mil à campanha de Flávio Roscoe ao governo de Minas. Jose Salim Mattar Jr. (Localiza) e José Seripieri Filho (Amil) completaram a lista de grandes nomes no primeiro turno.

O que observar nas próximas semanas

Parte dos doadores ouvidos sob reserva admitiu ter repassado valores ao PT que ainda não constam nos sistemas. A prestação de contas final pode redesenhar o mapa — ou confirmar a assimetria. Para quem monitora risco regulatório, contratos públicos ou pautas setoriais, o rastro do dinheiro partidário segue sendo o termômetro mais fiel de onde o capital aposta suas fichas.

Fique atento às atualizações do TSE nas próximas sextas-feiras: é ali que as peças faltantes aparecem e o cenário de financiamento se completa.