O barril do Brent saltou para US$ 106,65 nesta segunda-feira, 12, enquanto o WTI tocou US$ 93,74 — altas de 1,84% e 2,06%, respectivamente. Por trás dos números, duas frentes de risco geopolítico se cruzam: a escalada no Mar Vermelho e a fragilidade de um cessar-fogo energético que, na prática, não existe.
A Arábia Saudita abriu investigação para entender como suas defesas falharam diante de uma salva de mísseis e drones houthis. O alvo mais letal: o aeroporto de Riad. Treze mortos, mais de trezentos feridos. O CEO da Saudi Aramco, Amin Nasser, foi direto: a pressão sobre a oferta só arrefece quando o Estreito de Ormuz voltar a operar com normalidade e a confiança, recomposta.
O que está em jogo no Estreito de Ormuz
O corredor por onde passa cerca de 20% do petróleo global segue sob ameaça indireta. Os houthis, apoiados pelo Irã, demonstram capacidade de atingir a capital saudita. Para o mercado, cada dia sem solução adiciona prêmio de risco ao barril.
- Brent (dez/24): US$ 106,65 (+1,84%)
- WTI (nov/24): US$ 93,74 (+2,06%)
- Vítimas em Riad: 13 mortos, 300+ feridos
Enquanto isso, no Leste Europeu, a narrativa de trégua desmorona antes de começar. Autoridades ucranianas denunciam que a Rússia mantém ataques a infraestrutura energética mesmo após Donald Trump anunciar, no domingo, um “cessar-fogo energético” acordado entre as partes.
Trégua de papel, mísseis de verdade
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, colocou os pingos nos is: Moscou quer acordo de paz de longo prazo, não pausa temporária. A diferença não é semântica — ditada os termos de qualquer negociação futura e, por tabela, a percepção de risco de suprimento.
Trump, por sua vez, defendeu a decisão de Washington de fechar acordo de exportação de diesel com a Rússia, alegando que a União Europeia teria desembolsado US$ 250 bilhões em compras de energia russa. A declaração expõe a fratura transatlântica: enquanto Bruxelas tenta desacoplar, Washington negocia.
Golfo do México: alívio temporário
Do outro lado do Atlântico, a passagem do furacão Isaias forçou paralisações em plataformas offshore. Grandes petroleiras já retomam pessoal e elevam produção. O efeito, porém, é de curto prazo — a oferta adicional mal compensa a incerteza vinda do Oriente Médio e da Europa Oriental.
O cenário atual desenha um xadrez de três tabuleiros: segurança no Mar Vermelho, durabilidade de qualquer pausa na Ucrânia e ritmo de recuperação no Golfo. Qualquer peça que se mova de forma inesperada reescreve a curva de preços.
O que observar nas próximas sessões
Investidores e gestores de risco devem monitorar: (1) resultados da investigação saudita sobre a falha de defesa aérea; (2) evidências de continuidade ou interrupção dos ataques russos a usinas ucranianas; (3) dados semanais de estoques nos EUA, que podem amplificar ou atenuar o prêmio geopolítico. O barril acima de US$ 100 não é mais teto — é o novo piso de negociação enquanto houver dúvida sobre a integridade das rotas de escoamento.
