Economia

Geely no Brasil: o segredo por trás do crescimento explosivo da chinesa que já ameaça as líderes

Geely EX2 elétrico em destaque no Brasil, simbolizando crescimento acelerado da marca chinesa
O Geely EX2 impulsiona a expansão recorde da montadora chinesa no varejo brasileiro.

A Geely, décima maior montadora do mundo, colocou um modelo entre os mais vendidos do varejo brasileiro em pouco mais de um ano de operação. O EX2 saltou para o top 2, sustentado por uma rede que deve cobrir 90% do território até dezembro.

Como uma marca desconhecida conquistou o consumidor tão rápido? A resposta passa por satélites, humor e uma parceria inesperada com a Renault.

Um ecossistema tecnológico por trás do produto

Não se trata apenas de importar carros. A Geely opera 64 satélites próprios em órbita para garantir conectividade contínua aos veículos e mantém o maior centro de segurança automotiva do planeta. São milhares de engenheiros dedicados a desenvolver a tecnologia que chega às ruas brasileiras.

O portfólio global inclui marcas como Volvo, Zeekr e Link & Co, além de participação acionária na Mercedes-Benz. No Brasil, a aliança estratégica com a Renault — onde detém 26,7% — foi decisiva para acelerar a estrutura local.

Comunicação “tropicalizada” e o efeito família Hilbert-Lima

A diretriz global da empresa é clara: cada mercado deve adaptar a linguagem à sua cultura. No Brasil, a aposta foi no humor e na leveza. A escolha da família de Fernanda Lima e Rodrigo Hilbert como embaixadores traduziu essa estratégia.

O patrocínio do Big Brother Brasil amplificou a visibilidade de forma orgânica. A direção global aprovou a ousadia local, respeitando o que a head de marketing Milena Martins chama de “país jabuticaba” — complexo, regionalizado e único.

Rede física: o pilar que sustenta a confiança

Marketing atrai, mas estrutura retém. A marca inaugurou 50 concessionárias atendendo 24 estados. A meta de 90% de cobertura nacional até o fim do ano vem acompanhada de estoque de peças e suporte técnico para evitar o temor histórico do consumidor: ficar sem assistência.

  • 50 concessionárias em operação
  • 24 estados cobertos atualmente
  • 90% do território previsto para dezembro

O consumidor mudou — e as montadoras precisam acompanhar

Eventos como Salão do Automóvel e Festival Interlagos revelaram um novo perfil: o cliente chega à loja mais informado que o vendedor. Acesso a fichas técnicas, reviews e comparativos transformou a jornada de compra. A marca assumiu papel educacional, especialmente na eletrificação.

Para a executiva, o veículo a combustão não desaparecerá — há necessidades específicas para cada público. Mas quem experimenta um elétrico ou híbrido dificilmente volta atrás na experiência de dirigir.

O fim do preconceito com marcas chinesas?

A desconfiança inicial foi minada pela informação. Qualidade construtiva, tecnologia embarcada e testes rigorosos tornaram-se argumentos concretos. O volume de vendas do EX2 no varejo é a prova de que a barreira psicológica ruiu.

A receita: manter o DNA global, mas ouvir o time local. A experiência no BBB, citada como “única e intensa”, exemplifica como a autonomia criativa gerou resultados que a matriz celebra.

O que observar nos próximos meses

A expansão da rede para 90% do país testará a capacidade logística e de pós-venda em escala real. O comportamento do consumidor nas novas praças — especialmente no Norte e Nordeste — dirá se a “tropicalização” funciona além dos grandes centros. A eletrificação segue irreversível, mas o mix de propulsões será o termômetro da maturidade do mercado brasileiro.