Economia

PMI de Serviços cai a 49,2 e sinaliza contração mais forte em quase um ano

Gráfico mostra PMI de Serviços do Brasil caindo para 49,2 pontos em setembro, indicando contração
PMI de Serviços recua a 49,2 em setembro, maior contração desde outubro de 2022.

O setor de serviços brasileiro encolheu em setembro no ritmo mais intenso desde outubro do ano passado, puxado pela fraqueza da demanda que derrubou atividade, emprego e novos pedidos. O índice PMI recuou para 49,2 pontos, abaixo da marca de 50 que separa expansão de retração.

Apesar do cenário atual negativo, executivos ouvidos pela pesquisa demonstram otimismo incomum para os próximos meses. A expectativa de melhora nas condições econômicas após a eleição presidencial sustenta essa confiança.

O que os números revelam sobre a atividade

O PMI de serviços, compilado pela S&P Global, caiu de 50,5 em agosto para 49,2 em setembro. É a leitura mais baixa em quase doze meses. A contração, porém, foi descrita como “leve” tanto na produção quanto nos novos negócios.

Os participantes citaram restrições orçamentárias dos clientes, ambiente competitivo pressionado, demanda fraca e cancelamentos de projetos como motores da queda nas vendas. O componente de novos pedidos recuou pela quarta vez em sete meses.

Emprego: quarta queda em três meses

A redução da carteira de pedidos forçou prestadores de serviços a cortar vagas. O ritmo de demissão foi moderado, mas o mais acelerado em três meses. Com isso, o nível de emprego caiu em três dos últimos quatro meses.

  • Novos pedidos: quarta retração em sete meses
  • Emprego: queda mais rápida desde junho
  • Atividade: contração leve, mas disseminada

Inflação de custos perde força

Do lado dos preços, há alívio. A taxa de inflação de custos operacionais desacelerou para o menor patamar em seis meses. Itens como químicos, materiais elétricos, alimentos, combustíveis, metais, embalagens, papel e madeira seguem pressionando, mas com menor intensidade.

Os preços cobrados ao consumidor final subiram no ritmo mais fraco em oito meses. Empresas que reajustaram tarifas relataram repasse parcial do aumento de custos.

O otimismo que contrasta com o presente

Pollyanna De Lima, diretora associada de Economia da S&P Global Market Intelligence, destaca o paradoxo: “As próprias empresas se mostraram mais otimistas em relação às perspectivas de crescimento de médio prazo da demanda e da produção”.

A explicação reside no calendário eleitoral. A expectativa de definição do cenário político — mesmo com a possibilidade de segundo turno — alimenta a aposta em recuperação dos investimentos e da confiança nos próximos trimestres.

PMI Composto confirma perda de fôlego ampla

Com a indústria também em contração, o PMI Composto — que agrega serviços e manufatura — tombou para 47,4 em setembro, ante 49,1 em agosto. É a maior queda da produção do setor privado em um ano.

A desaceleração dos preços cobrados, contudo, abre espaço para que o IPCA convirja para abaixo do teto de 4,5% da meta do Banco Central. O alívio nas pressões de custo pode antecipar o ciclo de afrouxamento monetário.

O que observar nas próximas leituras

Três variáveis ditam a trajetória do setor nos próximos meses: a definição do quadro político pós-eleição, a resposta do consumo ao alívio inflacionário e a capacidade das empresas de manterem margens sem repassar custos integrais. O emprego, que já reage à demanda enfraquecida, será o termômetro mais sensível da recuperação — ou de sua ausência.