Economia

PS5 a R$ 300 e iPhone 17 a R$ 600: o segredo por trás dos leilões de outubro

Leilão de eletrônicos com PS5 e iPhone 17 a preços baixos, martelo de leilão e logos da Receita Federal e Casas Bahia
Leilões de outubro oferecem PS5 por R$ 300 e iPhone 17 por R$ 600, mas exigem atenção a custos extras.

Dois grandes leilões começam nos próximos dias com lances iniciais que parecem irreais: PlayStation 5 a R$ 300 e iPhone 17 por R$ 600. Mas, antes de preparar o Pix, existe uma camada de custos e regras que pode transformar a “pechincha” em dor de cabeça financeira.

A Receita Federal abre propostas na segunda-feira (5), enquanto a Kwara leiloa o mostruário da Casas Bahia já nesta sexta (2). Em ambos os casos, o valor do arremate é apenas o começo da conta.

O mostruário da Casas Bahia: desconto real ou armadilha logística?

O pregão da Kwara reúne lavadoras, TVs, fogões e móveis de showroom com até 82% de desconto sobre o varejo. A sessão ocorre online a partir das 10h, mas a retirada é restrita a Jundiaí (SP), com regras rígidas de acesso.

  • Cadastro: obrigatório no site da Kwara com uma hora de antecedência.
  • Taxas ocultas: 5% de comissão do leiloeiro + 15% de despesas administrativas = 20% sobre o lance vencedor.
  • Condição: vendidos “no estado”, sem garantia, manual ou acessórios. Fotos são meramente ilustrativas.

Um lance de R$ 1.000 vira R$ 1.200 na hora do pagamento. Some frete, tempo e risco de receber produto avariado.

Receita Federal: o jogo de duas fases que elimina amadores

O leilão da Receita não aceita lance direto. Funciona em duas etapas que exigem estratégia e conta gov.br nível prata ou ouro:

  • Fase fechada (5 a 9/10): envio de propostas sigilosas pelo e-CAC. Ninguém vê o lance dos outros.
  • Fase aberta (13/10, 10h): só avança quem ofertou valor igual ou até 10% abaixo da maior proposta. É aqui que o preço explode.

Os lotes estrelados — PS5 (lote 376) e três iPhones 17 256 GB (lotes 384 a 386) — têm lances mínimos baixos, mas carregam ICMS estadual e taxa de armazenamento variável por depósito.

A matemática que ninguém faz antes de ofertar

Imagine arrematar o iPhone por R$ 2.000 na fase aberta. Sobre esse valor incidem:

  • ICMS (alíquota do estado de destino).
  • Taxa de armazenamento (diária, enquanto o bem não é retirado).
  • Deslocamento até o depósito da Receita — sem opção de entrega.

O edital avisa: pagamento via Pix em até 1 dia útil após aprovação. Atraso gera multa. Retirada exige agendamento, veículo vazio, calçado de segurança e proíbe motocicleta ou transporte a pé.

Riscos que o “preço de banana” esconde

Ambos os editais são uníssonos: não há garantia, troca ou devolução. O iPhone pode ter tela trincada, o PS5 pode não ligar, a lavadora pode vazar. A visitação prévia (agendada entre 5 e 9/10 no caso da Receita) não é burocracia — é a única chance de mitigar o risco.

Além disso, lotes são indivisíveis. Arrematou um palete com 10 micro-ondas? Leva os 10 ou perde o sinal e paga multa.

O que observar daqui para frente

Outubro terá quase mil lotes entre Receita e leiloeiros privados. Para quem tem estrutura logística, capital de giro para as taxas extras e tolerância a risco, há oportunidades reais de revenda ou uso próprio. Para o investidor eventual, a conta costuma fechar no vermelho.

Antes de clicar em “ofertar”, calcule: lance estimado + 20% (taxas Kwara) ou + ICMS/armazenamento (Receita) + frete + tempo. Se o resultado ainda estiver 30% abaixo do mercado varejista com garantia, o negócio faz sentido. Caso contrário, é apenas especulação disfarçada de oportunidade.