O presidente Donald Trump assinou na terça-feira um decreto que obriga o governo federal a substituir o termo “inteligência artificial” por “superinteligência” em todas as comunicações oficiais. A medida vai além da semântica e já provocou uma corrida inesperada por ativos digitais na Europa.
A ordem determina que agências adotem a sigla “SI” e solicita uma definição federal para o novo conceito. Mas o impacto imediato aconteceu a milhares de quilômetros de Washington, no registro de domínios da Eslovênia.
O que muda na prática com o decreto
O documento assinado por Trump determina que todos os departamentos e agências do Poder Executivo passem a utilizar “superinteligência” e “SI” em correspondências, políticas públicas e documentos não estatutários. A expressão “inteligência artificial” deve ser abandonada progressivamente.
O assessor presidencial para Ciência e Tecnologia recebeu a missão de propor uma definição federal oficial para o termo. O objetivo declarado é refletir o “estágio extraordinário dessa fronteira tecnológica”, segundo o texto do decreto.
Para o mercado, a mudança de nomenclatura sinaliza uma orientação de política pública: o foco sai da automação de tarefas humanas e migra para a expansão de capacidades consideradas superiores. Isso pode influenciar editais, regulações e direcionamento de verbas federais nos próximos meses.
O padrão de rebatizar ativos estratégicos
Não é a primeira vez que a administração Trump tenta renomear ativos de relevância global. Antes da tecnologia, a iniciativa mirou a geografia: o Golfo do México passou a ser chamado oficialmente de “Golfo da América” e o Lago Ontário, de “Lago da América”.
Na semana passada, durante a Assembleia Geral da ONU, o presidente antecipou a motivação para a troca no setor tech. Afirmou que “inteligência artificial” soa “falso” e que “superinteligência” soa “muito melhor”. A fala foi feita dias antes da assinatura do decreto, após reunião com líderes das grandes empresas de tecnologia.
O efeito colateral nos domínios .si
A coincidência técnica gerou um fenômeno de mercado imediato. A sigla “SI” coincide com o domínio de topo de código de país (ccTLD) da Eslovênia (.si). Desde o anúncio na ONU, o registro de novos endereços com essa extensão disparou.
- Média anterior: cerca de 3.500 registros por mês (agosto).
- Média atual: aproximadamente 3.700 registros por dia.
- Total acumulado: ultrapassou 220 mil domínios ativos até terça-feira.
A Register.si, entidade que gere os domínios eslovenos, confirmou o aumento “significativo e estável” e emitiu alerta público. A entidade recomenda que detentores de marcas e empresas registrem seus domínios .si o quanto antes para evitar cybersquatting.
O que observar daqui para frente
A redefinição terminológica nos EUA pode forçar alinhamento em contratos governamentais, relatórios de conformidade e padrões de aquisição de tecnologia. Empresas que vendem para o governo federal devem revisar documentação e propostas técnicas para aderir ao novo vocabulário.
Paralelamente, a corrida pelo .si ilustra como decisões de branding geopolítico criam valor — ou risco — em ativos digitais periféricos. A escalada de registros na Eslovênia deve manter-se enquanto a sigla “SI” ocupar o centro do debate tecnológico americano. Profissionais de propriedade intelectual e estratégia digital devem monitorar a disputa por domínios curtos e siglas associadas à nova nomenclatura.
