Justiça

Six Flags encerra X2: o que a CNN descobriu que forçou o fim da atração

Montanha-russa X2 da Six Flags Magic Mountain fechada após investigação da CNN expor lesões cerebrais graves
A Six Flags encerrou a operação da X2 após revelações de mais de 100 relatos de ferimentos graves em dois anos.

A Six Flags Magic Mountain anunciou o fechamento definitivo da montanha-russa X2, sua atração mais icônica, após uma investigação jornalística expor um padrão de lesões cerebrais graves e mortes que vinha sendo ignorado há anos. A decisão chega tardiamente para dezenas de vítimas e suas famílias. Mas por que a empresa manteve o brinquedo em operação mesmo diante de alertas repetidos?

O estopim: mais de 100 novos relatos em dois anos

Advogados revelaram na semana passada que mais de cem pessoas procuraram representação jurídica alegando lesões cerebrais sofridas na X2 apenas nos últimos dois anos. O volume de casos explodiu após a reportagem da CNN, publicada no mês passado, documentar pelo menos uma dúzia de ferimentos graves e hospitalizações, além de duas mortes confirmadas.

Dois casos ocorridos com seis dias de diferença em julho levaram ao fechamento temporário da atração. Pamela Guillen, 26 anos, perdeu a consciência ao desembarcar e precisou de cirurgia cerebral de emergência. Naomi Greer-Wilkinson, também com 26 anos, entrou no brinquedo seis dias depois e permanece em coma.

Como a “quarta dimensão” virou arma invisível

A X2 foi projetada para girar os assentos 360 graus enquanto o trem atinge 130 km/h. O movimento rotacional combinado com forças G laterais extremas, segundo especialistas, pode causar cisalhamento no tecido cerebral — mecanismo semelhante ao observado na síndrome do bebê sacudido.

O neurocirurgião que atendeu Christopher Hawley, morto em 2020 horas após andar na atração, comparou os ferimentos exatamente a esse padrão. O laudo do legista classificou a causa como trauma contundente por “acidente em atração de parque de diversões”.

O que as ações judiciais alegam

Três processos protocolados na semana passada sustentam que a Six Flags tinha conhecimento amplo dos riscos e manteve a X2 operando mesmo assim. Entre os pontos centrais:

  • Relatos de lesões graves remontam a mais de uma década
  • A empresa não implementou modificações substantivas de segurança
  • Funcionários teriam sido instruídos a minimizar queixas de passageiros
  • Inspeções internas ignoraram padrões de recorrência

Acordos e a pressão final

A família Hawley chegou a um acordo preliminar com a Six Flags no mês passado, após quatro anos de batalha judicial. Anne Hawley, mãe de Christopher, declarou: “Foram necessários mais de quatro anos e dezenas de outros passageiros feridos para que a Six Flags tomasse a decisão correta”.

Timothy Loranger, advogado da família, afirmou representar agora novos clientes, incluindo parentes de um jovem que teria morrido após andar na X2 no fim de 2025 — o que seria a terceira morte ligada à atração.

O comunicado da empresa e a brecha que permanece

Brian Oerding, presidente do parque, escreveu no blog corporativo que a X2 “aprovou consistentemente uma ampla variedade de testes de segurança”, mas que o fechamento ocorre porque “a confiança dos visitantes foi afetada”. A frase evita assumir responsabilidade direta pelos ferimentos.

Pamela Guillen, que reaprendeu a falar e andar e ainda depende de medicação contra convulsões, disse à CNN: “Espero que a Six Flags implemente medidas melhores de segurança e inspeção em todos os seus parques e atrações”.

O que observar daqui para frente

O fechamento da X2 não encerra os processos em andamento nem impede novas ações. Advogados indicam que a descoberta (fase de produção de provas) pode revelar comunicações internas sobre decisões de manutenção e operação da atração ao longo dos anos. Para investidores e operadores do setor, o caso cria precedente: parques podem ser responsabilizados por manter atrações em funcionamento apesar de padrões conhecidos de lesão, mesmo que cumpram normas técnicas formais. Acompanhe os desdobramentos judiciais nos próximos meses — eles ditarão o novo padrão de diligência exigido da indústria.