O influenciador alagoano Rico Melquiades descartou, neste domingo (27), a mudança para Portugal que havia anunciado dois dias antes. A reviravolta ocorre no mesmo fim de semana em que o governo federal proibiu a atuação de casas de apostas no Brasil — setor do qual Rico foi um dos principais divulgadores.
O anúncio que durou um fim de semana
Na sexta-feira (25), Rico declarou aos seguidores que deixaria de residir no país já no mês seguinte. “Próximo mês eu não serei mais um cidadão brasileiro […] vou morar na Europa, em Portugal”, afirmou em stories. A fala gerou repercussão imediata pela proximidade com a medida presidencial que vetou as bets.
Quarenta e oito horas depois, o tom mudou radicalmente. “Pra alegria de poucos, eu não vou sair do Brasil, gente. Eu nunca nem pensei nisso na minha vida”, disse o influenciador, negando qualquer planejamento de saída.
A coincidência com a proibição das bets
O primeiro anúncio coincidiu com a publicação da portaria que bloqueou a operação de sites de apostas sem licença nacional. Rico tem histórico de contratos publicitários com o setor e já prestou depoimento na CPI das Bets no Senado sobre essas parcerias.
Em nenhum dos dois vídeos o influenciador vinculou explicitamente a suposta mudança à nova regra. A ausência de explicação direta, no entanto, alimentou especulações sobre uma eventual estratégia de blindagem patrimonial ou fiscal.
O discurso do “dinheiro que trabalha sozinho”
Para justificar a permanência, Rico exibiu sua estrutura financeira. Citou três pilares que, segundo ele, tornam a saída desnecessária:
- Prêmio do reality show vencido anteriormente;
- Contratos publicitários “milionários” acumulados na carreira;
- Carteira de investimentos que “trabalha para mim”.
“Meu dinheiro é investido, meu dinheiro trabalha pra mim. Então não tem pra que eu sair do Brasil”, resumiu.
Roteiro nacional: onde ele vai aparecer
O influenciador detalhou uma agenda de circulação doméstica para os próximos meses. A lista inclui cinco polos econômicos e turísticos:
- São Paulo
- Rio de Janeiro
- Minas Gerais
- Santa Catarina
- Goiânia
A escolha dos destinos sugere manutenção de contratos com marcas de alcance nacional e participação em eventos regionais — fontes de receita que dependem de presença física no território brasileiro.
O recado para a classe dos influenciadores
Além do caso pessoal, Rico direcionou críticas a colegas que, após a proibição, passaram a se posicionar contra as bets. “Se você é realmente contra as bets, devolva o dinheiro que você recebeu. Os patrimônios que você fez, devolva. Ou faça doação”, provocou.
A fala expõe a tensão entre criadores de conteúdo que monetizaram o setor e a nova exigência de conformidade regulatória. O posicionamento pode antecipar movimentos de compliance voluntário ou pressão por autorregulação entre agências de influenciadores.
O que observar daqui para frente
A volatilidade da decisão — anunciar saída e recuar em 48 horas — sinaliza sensibilidade reputacional aguda. Para o mercado, três variáveis merecem monitoramento: eventuais desdobramentos da CPI das Bets sobre contratos passados, a adesão de outros creators ao discurso de devolução de valores e a capacidade de Rico manter a carteira de anunciantes sem o apelo das apostas. A continuidade da circulação nacional, sem interrupção de contratos, será o termômetro real da solidez financeira alegada.
