O Brasil exportou 10,1 milhões de toneladas de petróleo nas quatro primeiras semanas de setembro, colocando o país a um passo de superar a marca histórica de 11 milhões de toneladas registrada em março de 2023. Com três dias úteis restantes no calendário da Secex, a média diária acima de 500 mil toneladas torna o novo recorde quase inevitável.
O volume representa um salto de 50% na comparação com a média diária de setembro do ano passado. A receita cambial já ultrapassa US$ 5,6 bilhões no acumulado do mês, impulsionada por um preço médio de US$ 562,4 por tonelada — alta de 26,1% em doze meses.
O motor por trás da marca: produção em nível inédito
A explicação mais direta está no campo. A produção nacional bateu recorde em julho pelo segundo mês seguido, puxada pelos megacampos do pré-sal Búzios e Mero, na Bacia de Santos. Os números de agosto, previstos para sair no início de outubro pela ANP, devem confirmar a continuidade da tendência.
Esse excesso de oferta encontra um destino natural no mercado externo. A refinaria Repar, no Paraná, está em parada programada de manutenção, reduzindo o processamento interno e liberando mais petróleo bruto para embarque.
Geopolítica abre janela extra de demanda
Além da dinâmica doméstica, o cenário internacional joga a favor. Os conflitos no Irã e as restrições no estreito de Ormuz criaram incertezas no fornecimento do Oriente Médio, redirecionando compradores — sobretudo a China — para o petróleo brasileiro.
Esse duplo empurrão (oferta recorde + demanda desviada) explica a aceleração das vendas externas num mês que costuma ser sazonalmente mais fraco.
O que os números mostram até agora
- 10,1 milhões de toneladas embarcadas até a 4ª semana
- 500 mil toneladas/dia de média — 50% acima de set/2023
- US$ 5,6 bilhões em receita cambial acumulada
- US$ 562,4/tonelada preço médio (+26,1% a/a)
- 3 dias úteis restantes para fechar o mês
Por que isso importa para o caixa das empresas
O efeito imediato aparece na balança comercial: cada dia adicional de embarque nessa toada injeta cerca de US$ 280 milhões na economia. Para a Petrobras e as petroleiras privadas, a janela de preços elevados melhora a geração de caixa e a capacidade de reinvestimento nos próprios ativos do pré-sal.
No lado macro, a entrada de divisas ajuda a conter pressões sobre o câmbio num momento de incerteza fiscal. Mas o benefício não é automático — depende de quanto desse fluxo permanece no país versus remessas de lucros e pagamento de dívida externa.
O que observar daqui para frente
A confirmação do recorde dependerá da logística portuária nas próximas 72 horas. Terminais como o Porto Sudeste, na Baía de Sepetiba, operam no limite da capacidade de carregamento. Qualquer gargalo — chuva forte, fila de navios, falha em mono-boia — pode cortar a reta final.
Outro ponto de atenção: a volta da Repar ao modo normal de operação, prevista para outubro, deve recompor o refino interno e reduzir o excedente exportável. Se a produção mantiver o ritmo atual, o país precisará decidir entre ampliar a capacidade de escoamento (dutos, terminais) ou aceitar ciclos de parada em campos maduros.
Por fim, o preço do barril no mercado internacional segue volátil. A alta de 26% no valor da tonelada exportada reflete tanto o prêmio de risco geopolítico quanto a qualidade do petróleo brasileiro. Qualquer desescalada no Oriente Médio ou recessão na China derruba essa equação — e com ela, a receita do próximo mês.
