Renato Ambrósio, o rosto por trás da Viva Sorte — segunda maior anunciante da TV aberta em 2025 — anunciou sua saída da Band neste sábado (26). O contrato como apresentador terminou, mas a relação comercial continua. A decisão movimenta o tabuleiro publicitário de uma emissora que dependia pesadamente desse investimento.
O que mudou na grade da Band a partir de agora
Desde 2024, Ambrósio comandava o Sabadão de Todos nas noites de sábado e um matinal de domingo. Os dois programas saem da grade com a saída dele. A emissora perde horas de programação própria e, mais sensível, perde o “dono” do conteúdo que preenchia esse espaço.
Segundo o executivo, a sensação é de “dever cumprido por ter mudado a vida de 250 famílias”. A frase refere-se aos sorteios e premiações veiculados nas atrações. O discurso de gratidão não esconde o movimento estratégico: Ambrósio sai da frente das câmeras, mas mantém o cheque aberto.
R$ 368 milhões: o tamanho do anunciante que não vai embora
Levantamento da agência Tunad colocou a Viva Sorte como segunda maior anunciante da TV brasileira em 2025, com investimentos de aproximadamente R$ 368 milhões. Só a Record, o SBT e a própria Band absorveram a maior fatia desse volume.
Para efeito de comparação, o top 3 de anunciantes da TV aberta no período ficou assim:
- 1º lugar: Setor de bens de consumo / varejo (liderança histórica)
- 2º lugar: Viva Sorte — ~R$ 368 milhões
- 3º lugar: Plataformas de apostas e bancos digitais
A concentração de verba em poucas emissoras populares mostra a estratégia da marca: alcance de massa, horários nobres e programas de auditório. A Band era peça-chave nessa engrenagem.
Anunciante fica, apresentador sai: o modelo híbrido que interessa ao mercado
A permanência da Viva Sorte como patrocinadora de atrações da Band — mesmo sem Ambrósio no ar — sinaliza uma tendência. Grandes anunciantes estão descolando a figura do dono da exposição da marca. O empresário vira “sócio de mídia”, não mais “garoto-propaganda”.
Isso reduz risco de imagem para a empresa e dá liberdade criativa à emissora. A Band mantém a receita publicitária; o anunciante mantém a audiência. Quem perde é o formato de “programa do dono”, que vinha ocupando horários nobres sem necessariamente entregar ibope proporcional ao investimento.
O vazio na grade de fim de semana e o que vem por aí
Com a saída dos dois programas, a Band tem agora duas faixas abertas no fim de semana: sábado à noite e domingo de manhã. A emissora não anunciou substitutos. O mercado especula três cenários:
- Reprise de jornalísticos ou esportivos (baixo custo, audiência estável)
- Venda das faixas para outros anunciantes-produzirem conteúdo (modelo “horário alugado”)
- Lançamento de formato próprio com apresentadores da casa
A decisão dirá se a Band aposta em identidade própria ou segue como “plataforma de mídia para anunciantes”.
O que observar nas próximas semanas
Três movimentos vão ditar o desdobramento prático dessa saída:
- Renovação dos contratos de patrocínio da Viva Sorte com a Band — valores e contrapartidas de exposição.
- Anúncio da nova grade de fim de semana — se houver produção própria, a emissora sinaliza autonomia; se houver mais “horários alugados”, sinaliza dependência de receita publicitária direta.
- Possível migração de Ambrósio para outra emissora como apresentador — o que levaria a verba de mídia junto.
Para quem acompanha o negócio da TV aberta, o caso Viva Sorte/Band é um laboratório em tempo real: até onde vai a força do anunciante sobre a grade? A resposta virá nos próximos balanços de ibope e faturamento.
