Economia

Tesouro Direto: 4ª queda seguida e o que ninguém te conta

Gráfico de rentabilidade do Tesouro Direto mostrando queda nas taxas do IPCA+ 2050
Tesouro IPCA+ 2050 cai de 7,19% para 7,17% na 4ª sessão consecutiva de baixa.

As taxas do Tesouro Direto recuaram pela quarta sessão consecutiva nesta segunda-feira (21), abrindo uma janela de oportunidade para quem busca travar rendimentos prefixados ou atrelados à inflação. O movimento reflete uma combinação rara: alívio externo no petróleo e um cenário político doméstico que, por enquanto, não assusta o mercado.

O tamanho do alívio nos principais vencimentos

O recuo foi generalizado, mas ganhou destaque nos papéis longos. O Tesouro IPCA+ 2050 liderou as baixas, saindo de 7,19% para 7,17%. Nos prefixados, o título com vencimento em 2032 caiu de 14,18% para 14,10%. Confira os destaques da manhã:

  • Prefixado 2029: 13,85% → 13,79%
  • Prefixado 2032: 14,18% → 14,10%
  • Prefixado c/ Juros 2037: 14,23% → 14,15%
  • IPCA+ 2032: 7,60% → 7,57%
  • IPCA+ 2050: 7,19% → 7,17%
  • IPCA+ c/ Juros 2060: 7,20% → 7,18%

Petróleo em queda: o gatilho externo que ajuda o Brasil

Dados da consultoria Kpler mostraram que as exportações sauditas voltaram a superar 4 milhões de barris por dia em setembro. O número representa uma recuperação forte frente aos 2,4 milhões de bpd de agosto — o menor nível desde 2013. A oferta adicional pressiona o barril para baixo, aliviando a inflação importada e, consequentemente, a curva de juros futura.

O cenário externo colabora duplamente. Após o Federal Reserve elevar os juros nos EUA, os rendimentos dos Treasuries recuaram nos dias seguintes, tirando pressão do dólar. Paralelamente, as bolsas globais sobem puxadas pelo setor de tecnologia, beneficiado pela expansão da inteligência artificial.

Focus e urnas: o termômetro doméstico

O relatório Focus trouxe mais uma revisão relevante: a expectativa para a Selic no fim de 2026 caiu para 13,50%. A projeção embute a aposta de pelo menos mais um corte de juros ainda neste ano, reforçando a tese de que o ciclo de afrouxamento monetário não acabou.

No front político, a pesquisa Nexus divulgada hoje mostrou empate técnico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, com vantagem numérica de um ponto para o petista. A nova pesquisa Quaest, prevista para as próximas horas, pode calibrar ainda mais o humor dos investidores.

O que observar daqui para frente

O investidor que acompanha a renda fixa deve monitorar três variáveis nos próximos pregões: a sustentação do preço do petróleo abaixo de US$ 85, a confirmação da trajetória de queda da Selic no Focus e a volatilidade das pesquisas eleitorais. Enquanto o tripé externo, monetário e político mantiver essa configuração, a tendência é de que as taxas continuem testando patamares mais baixos, favorecendo quem alonga duration na carteira.