Tecnologia

Itaú aposta bilhões em IA que “prevê o futuro” — e você vai querer saber como

Itaú investe em startup de IA Simile que simula comportamento humano para testar produtos financeiros
Maior banco privado do Brasil aposta em IA preditiva para validar cenários complexos sem riscos reais

O maior banco privado do Brasil acaba de colocar dinheiro em uma startup americana que promete simular o comportamento humano antes mesmo de um produto chegar ao mercado. A Simile, avaliada em US$ 2 bilhões, desenvolve modelos de inteligência artificial capazes de testar cenários complexos — de lançamentos de crédito a mudanças regulatórias — sem arriscar um centavo real.

O aporte, feito via Itaú Ventures, integra uma extensão da Série B de US$ 200 milhões fechada em julho. O banco não revela o valor exato, mas entra num seleto grupo de investidores que inclui Greenoaks, Index Ventures, Bain Capital Ventures e até o braço de venture capital da CVS Health.

Por que o Itaú foi além de ser apenas investidor

Diferente da maioria dos aportes corporativos, esta parceria nasceu de uma relação operacional. O Itaú foi o primeiro cliente da Simile na América Latina, atuando como cocriador da tecnologia desde os estágios iniciais. Equipes do banco testaram aplicações em diferentes áreas — do varejo ao atacado — antes de qualquer assinatura de term sheet.

“A Simile desenvolveu uma abordagem inovadora para modelar o comportamento humano e simular cenários complexos”, afirma Carlos Eduardo Mazzei, CTO do Itaú Unibanco. “Essa capacidade tem grande potencial para complementar nossa agenda de IA e acelerar o desenvolvimento de experiências, produtos e serviços cada vez mais relevantes.”

O que a tecnologia faz na prática

Imagine rodar milhares de simulações de como seus clientes reagiriam a uma nova taxa de juros, a um app redesenhado ou a uma campanha de marketing — antes de lançar. A plataforma da Simile cria “gêmeos digitais” de populações, organizações e mercados, permitindo testar hipóteses em ambiente controlado.

  • Simulação de lançamento: testa aceitação de produtos financeiros em diferentes perfis
  • Gestão de risco: modela cenários de estresse macroeconômico com variáveis comportamentais
  • Otimização de jornada: prevê gargalos em onboarding, crédito ou atendimento
  • Cenários regulatórios: antecipa impactos de novas normas do Banco Central

O tabuleiro maior: nuvem total até 2028

Este movimento não acontece no vácuo. O Itaú tem meta pública de migrar 100% de sua infraestrutura para nuvem até 2028, com aceleração pesada em inteligência artificial. O investimento na Simile encaixa-se como peça-chave: a capacidade de simular cenários em escala exige computação elástica, dados limpos e governança — exatamente o que a jornada cloud habilita.

O Itaú Ventures, criado em 2019, foca em participações minoritárias em estágios inicial e de crescimento. Seu mandato cobre serviços financeiros, infraestrutura tech, cibersegurança e IA aplicada, prioritariamente no Brasil e América Latina. A entrada na Simile sinaliza disposição para olhar também para fora do continente quando a tecnologia tem aplicabilidade direta.

O que observar nos próximos trimestres

A valoração de US$ 2 bilhões coloca a Simile no radar de aquisições estratégicas — seja por big techs, seja por incumbentes financeiros globais. Para o Itaú, o retorno virá de duas frentes: ganhos de eficiência interna (menos lançamentos falhos, menos retrabalho) e eventuais produtos brancos oferecidos a clientes corporate.

Fique atento a dois sinais: anúncios de casos de uso em produção real dentro do banco e eventuais rodadas subsequentes que revelem a tração comercial da Simile além do piloto latino-americano. O jogo de “testar antes de errar” acabou de ganhar um jogador de peso.