O Datafolha inicia nesta terça-feira (22) a quinta rodada de intenções de voto desde o início oficial da campanha, com divulgação marcada para quinta (24). Pela primeira vez, o instituto medirá o termômetro eleitoral após o reajuste de 15,04% no Bolsa Família e em meio à tensão envolvendo o Supremo Tribunal Federal.
Serão ouvidos 2.004 eleitores presencialmente, com margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento, encomendado pela Folha de S.Paulo e pelo grupo Globo, custa R$ 307,6 mil e promete radiografar não só a disputa presidencial, mas a percepção do eleitor sobre a Corte.
O fator Bolsa Família: teste de popularidade imediato
Este é o grande diferencial em relação ao levantamento anterior, de 17 de setembro. O governo Lula concedeu o aumento no benefício no início de outubro, injetando recurso extra no orçamento das famílias mais vulneráveis justamente na reta final da corrida.
A pergunta central é se o impacto financeiro já se traduz em capital político. No último cenário estimulado, Lula aparecia com 39% contra 36% de Flávio Bolsonaro — empate técnico dentro da margem de erro. A nova rodada dirá se a agulha moveu para um dos lados.
STF no banco dos réus da opinião pública
O questionário vai além da disputa de votos. O instituto quer saber se o eleitor acredita que decisões recentes do Supremo beneficiam ou prejudicam Lula e Flávio Bolsonaro. A coleta ocorre dias após o tribunal adiar a análise sobre um pedido de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.
Outros pontos sensíveis serão testados:
- Criação de um código de ética para ministros da Corte;
- Participação de magistrados em eventos pagos por partes com interesse no STF;
- Recebimento de cachês por palestras em empresas privadas;
- Atuação como sócio de empresa privada durante o mandato.
As respostas devem compor um retrato inédito da confiança institucional no momento mais agudo do embate entre Poderes.
Mecânica eleitoral: espontânea, estimulada e rejeição
A entrevista começa aberta: “Em quem você pretende votar para presidente em outubro?”. Em seguida, o pesquisador apresenta uma lista com 12 nomes, incluindo Lula, Flávio Bolsonaro, Romeu Zema, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Augusto Cury e outros.
O questionário aprofunda o comportamento do voto:
- Número a ser digitado na urna;
- Grau de certeza da escolha (definido ou passível de mudança);
- Motivação: voto de preferência ou voto útil (para impedir outro candidato);
- Rejeição: “Em quem não votaria de jeito nenhum?”.
Cenários de segundo turno e termômetro do governo
O Datafolha simulará cinco possíveis runoff envolvendo Lula: contra Flávio Bolsonaro, Caiado, Renan Santos, Augusto Cury e Zema. Na rodada de setembro, o petista vencia o senador por 46% a 44% — diferença mínima.
Além da corrida presidencial, o levantamento mede a aprovação da gestão Lula, o interesse da população pela política e a disposição de comparecer às urnas em 4 de outubro caso o voto não fosse obrigatório.
O que observar nos números de quinta-feira
A divulgação trará três leituras estratégicas para quem acompanha o xadrez político: a velocidade de transferência do reajuste social para intenção de voto, o desgaste (ou blindagem) do Supremo diante das polêmicas recentes e a solidez das rejeições, que costumam ditar o segundo turno mais do que as preferências iniciais. O mercado e os estrategistas de campanha já precificam a volatilidade; o Datafolha dirá se ela se confirmou nas ruas.
