A Anatel prorrogou até abril de 2029 a autorização que permite à Vivo oferecer conexão direta entre celulares comuns e satélites da Starlink — sem antena externa. A decisão transforma um teste temporário em um laboratório de longa duração para a tecnologia Direct-to-Device no Brasil.
O ato foi publicado no Diário Oficial e estende em quase cinco anos o prazo original, que expiraria em outubro deste ano. Mas a permissão pode cair antes se a agência publicar regras definitivas para o serviço.
Como funciona a conexão direta ao satélite
O diferencial do D2D é dispensar equipamentos dedicados. Smartphones compatíveis se conectam diretamente a satélites de baixa órbita quando não há rede terrestre disponível. Não substitui 4G ou 5G: atua como extensão de cobertura em áreas rurais, regiões remotas ou locais onde instalar torres é inviável.
Nesta fase, o foco recai sobre serviços de baixo tráfego: mensagens, alertas de emergência e conexões básicas de dados. A autorização vale para todo o território nacional.
Frequências, potência e caráter secundário
Os testes utilizam duas faixas do espectro já pertencentes à Vivo:
- 2.567,5 MHz (uplink)
- 2.687,5 MHz (downlink)
- Largura de banda de 5 MHz
A licença estabelece potência máxima de transmissão de 100 W. O serviço opera em caráter secundário: não tem proteção contra interferências de sistemas prioritários e deve interromper transmissões se causar problemas a outras redes.
Vivo pode trocar a Starlink a qualquer momento
Embora a SpaceX seja a parceira atual, a autorização não trava a operadora a um único fornecedor até 2029. A Vivo poderá adicionar ou substituir o provedor satélite mediante comunicação formal à Anatel e respeito às condições do sandbox regulatório.
Isso abre espaço para outros players. TIM e Claro já mantêm conversas com empresas de comunicação via satélite e acompanham de perto a evolução do D2D no país.
Serviço já pode ser vendido ao consumidor final
Por integrar o sandbox regulatório, a Vivo está autorizada a comercializar os serviços baseados em D2D durante o período experimental — não se limita a testes internos. A experiência até 2029 subsidiará a futura regulamentação permanente da conexão direta celular-satélite no Brasil.
Paralelamente, a Starlink iniciou promoção vendendo sua antena convencional por R$ 99, valor bem abaixo do preço oficial do equipamento — movimento que pode indicar estratégia de expansão de base enquanto o D2D amadurece.
O que observar nos próximos meses
A extensão do prazo sinaliza que a Anatel quer dados robustos antes de legislar definitivamente. Três pontos merecem atenção: a velocidade de adoção de smartphones compatíveis com D2D no mercado brasileiro, a definição de modelos de precificação para o consumidor final e eventuais ajustes nas condições de interferência e prioridade de espectro. Se a tecnologia provar viabilidade comercial e técnica, a regulamentação definitiva pode chegar antes de 2029 — antecipando a entrada de novos concorrentes e a expansão real da cobertura móvel para além das torres terrestres.
