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IA, espaço e BRICS: o tabuleiro geopolítico que vai ditar seus negócios em 2026

Tabuleiro geopolítico com IA, satélites e bandeiras dos BRICS representando disputa tecnológica 2026
A corrida por IA no espaço e a expansão dos BRICS redefinem o cenário de negócios para 2026.

A disputa entre Estados Unidos e China pela supremacia em inteligência artificial acaba de ganhar uma camada militar no espaço, enquanto os BRICS se preparam para desafiar a ordem global na ONU. O que está em jogo não é apenas poder — é o ambiente regulatório e de mercado onde sua empresa vai operar nos próximos cinco anos.

O programa Brasil no Mundo desta quinta-feira (17), às 22h30 na TV Brasil, reúne especialistas para dissecar esse cenário. Mas os sinais já estão na mesa para quem sabe ler.

A corrida que saiu do laboratório e foi para a órbita

A rivalidade tecnológica entre Washington e Pequim deixou de ser sobre chips e algoritmos. Segundo o historiador Chico Teixeira, convidado da edição, a militarização do espaço transformou a IA em ativo estratégico de defesa. Satélites autônomos, sistemas de alerta antecipado e armas hipersônicas dependem de modelos de linguagem e visão computacional de última geração.

Para o setor privado, isso significa duas coisas: restrições de exportação mais duras e fluxos de capital direcionados para dual-use tech. Empresas que fornecem infraestrutura em nuvem, semicondutores ou dados de treino já sentem o aperto de compliance.

O Estreito de Bab el-Mandeb e a conta do frete

Enquanto a atenção mira o Pacífico, o Mar Vermelho ferve. O avanço dos Houthis sobre o estreito de Bab el-Mandeb — por onde passa 12% do comércio marítimo global — reacende o risco logístico de 2024. Seguradoras já revisam prêmios; armadores reavaliam rotas via Cabo da Boa Esperança, adicionando 10 a 14 dias de trânsito.

Quem importa insumos da Ásia ou exporta commodities para a Europa precisa precificar esse prêmio de risco agora, não quando o próximo navio for alvejado.

Ucrânia: o laboratório de guerra assimétrica

O conflito entra em nova fase com drones de baixo custo neutralizando sistemas de defesa de milhões de dólares. A lição para a indústria de defesa — e para qualquer setor que dependa de cadeias longas — é clara: resiliência vence otimização. Estoques de segurança, fornecedores alternativos e contratos flexíveis deixaram de ser “custo” para virar “seguro”.

BRICS na ONU: multilateralismo com viés comercial

Às vésperas da Assembleia Geral, o bloco ampliado (agora com Irã, Arábia Saudita, Egito, Emirados e Etiópia) coordena posições sobre reforma do Conselho de Segurança, comércio em moedas locais e governança de IA. O Brasil, como membro fundador, tem assento na mesa onde se desenham as regras do jogo.

Empresas que operam em múltiplas jurisdições devem monitorar três vetores:

  • Padronização regulatória: convergência ou fragmentação de normas de IA e dados?
  • Sistemas de pagamento: avanço de liquidação em yuan, rúpia, dirham ou real?
  • Certificação de origem: novas regras de conteúdo local em compras governamentais?

O que observar daqui para frente

A convergência entre corrida armamentista espacial, gargalos marítimos e realinhamento institucional cria janelas de 6 a 18 meses para repositioning estratégico. Revise exposição cambial, mapeie dependências tecnológicas de fornecedores em jurisdições sensíveis e teste cenários de interrupção logística de 30 dias.

O tabuleiro moveu-se. Quem joga apenas defesa perde mercado. Quem antecipa duas jogadas, captura valor.