Economia

O segredo dos bancos para 2027: ações que pagam como títulos e ganham com juro caindo

Ilustração de ações funcionando como títulos de renda fixa com seta de juros caindo rumo a 2027
Estratégia de 'bond proxies' ganha força com expectativa de Selic real menor em 2027.

Itaú BBA e Bank of America alinham o discurso: é hora de reforçar a carteira com “bond proxies”, papéis que imitam títulos de dívida e tendem a brilhar se a Selic real cair em 2027. A aposta aposta numa desaceleração econômica que beneficia quem tem receita previsível e baixa sensibilidade ao ciclo.

Mas nem toda empresa de infraestrutura serve. A seleção passa por métricas duras de correlação com juros reais e retorno interno de dois dígitos. O que separa as escolhidas das evitadas?

Por que “bond proxies” agora fazem sentido

A lógica é matemática. O grupo de ações com perfil de renda fixa apresenta correlação negativa de -0,42 com os juros reais de 10 anos nos últimos 12 meses. Para comparação: empresas domésticas marcam -0,35, financeiras -0,32 e commodities apenas -0,17.

Quanto mais negativa a correlação, maior o ganho potencial quando a taxa cai. Shoppings lideram a sensibilidade (-0,55), seguidos por utilities (-0,41), rodovias (-0,39) e telecom (-0,37).

As 3 favoritas do Itaú BBA para comprar já

O banco elegeu um trio que combina infraestrutura, energia e varejo imobiliário de alta renda. Todas entregam TIR (Taxa Interna de Retorno) real acima de 11%:

  • Axia (AXIA3): Dividend yield médio estimado em 12,5% entre 2026 e 2029.
  • Equatorial (EQTL3): Potencial de alta de 66% pela estimativa do BBA; TIR real ~12% pelo BofA.
  • Multiplan (MULT3): TIR real de 11% (prêmio de 300 pb sobre média histórica) e principal beneficiária da reforma tributária a partir de 2027.

Energia e saneamento: onde está o “chão” de segurança

Eneva (ENEV3) carrega mais de 75% do EBITDA contratado até 2030. O BBA vê upside de 13% e catalisadores que podem adicionar R$ 3,50 por ação até outubro. Energisa e Equatorial aparecem com potenciais de 70% e 66%, respectivamente.

No saneamento, Sabesp (SBSP3) e Copel (CPLE3) completam a lista ampliada de sensíveis a juros. A previsibilidade regulatória funciona como colchão em cenário de recessão leve.

Rodovias batem ferrovias no cenário El Niño

Ecorodovias (ECOR3) é a preferida em transportes: TIR real ~12%, tráfego resiliente, receitas indexadas à inflação e margens estáveis. Rumo (RAIL3) e Hidrovias (HBSA3) ficam em segundo plano por risco climático — o El Niño pode cortar volumes de grãos no ano que vem.

Telecom: yield alto, mas crescimento fraco

Vivo (VIVT3) e TIM (TIMS3) ficam fora das preferências. A competição acirrada e a dúvida sobre recuperação de mercado levam à recomendação neutra. Vivo leva vantagem relativa: ARPU mais resiliente, público de alta renda e yield estimado em 8% para 2026. TIM oferece ~12% de yield, mas base de assinantes cresce devagar.

O que o BofA vê de diferente (e onde concordam)

O Bank of America elege Equatorial, Ecorodovias e Allos (ALOS3) como tops. Para risco alto, gosta da Axia (beta mais alto, yield 11–15% em 2026/27). Perfil defensivo? ISA Energia (ISAE4): TIR real 10% e upside >15% se resolver passivo previdenciário.

Ambos os bancos evitam Rumo frente a Motiva (MOTV3) e Ecorodovias. Em shoppings, Allos é a escolha do BofA; Multiplan, a do BBA.

O que observar daqui para frente

O gatilho principal é a curva de juros reais longa. Se a expectativa de Selic terminal para 2027 recuar, a correlação histórica sugere valorização desproporcional desses papéis. Monitore: leilões de transmissão e rodovias (novos ativos), desfecho do passivo previdenciário da ISA e a tramitação da reforma tributária — ela pode destravar valor extra na Multiplan já no próximo ano. Mantenha a lista de TIRs reais acima de 11% como filtro; abaixo disso, o prêmio de risco deixa de compensar.