Economia

Dólar a R$ 5,17 e Ibovespa a 186 mil: o que o mercado não te contou sobre setembro

Gráfico mostra dólar a R$ 5,17 e Ibovespa a 186 mil pontos em setembro de 2024
Desempenho do dólar e Ibovespa em setembro: moeda a R$ 5,17 e bolsa nos 186 mil pontos.

O dólar fechou setembro a R$ 5,174 e o Ibovespa saltou 5,03% no mês, mas o verdadeiro sinal para o seu portfólio está nos detalhes que a maioria ignorou. A inflação americana veio abaixo do esperado e mudou o jogo de uma forma que ainda vai ecoar no próximo trimestre.

Em um único pregão, a moeda americana recuou 0,76% enquanto a bolsa subia 1,37%. Parece rotina, mas o fluxo de R$ 9,5 bilhões de estrangeiros em apenas 28 dias conta outra história.

O gatilho que ninguém esperava: PCE americano surpreende

O núcleo do PCE — a medida de inflação preferida do Fed — subiu apenas 0,2% em agosto contra 0,3% projetados. O índice cheio avançou 0,3% frente a 0,4% esperados. Dois décimos de ponto percentual foram suficientes para derrubar os juros futuros dos EUA e tirar o dólar do topo.

O rendimento do Treasury de 10 anos caiu abaixo de 4,6% na hora do almoço em Nova York. Traders de juros zeraram a aposta de alta em outubro. Probabilidade implícita caiu de 45% para menos de 20% em minutos.

No Brasil, o real foi a moeda latino-americana que mais se valorizou no dia. Não foi só sorte: o carry trade voltou a fazer sentido com o diferencial de juros ainda acima de 10 pontos percentuais.

O que os R$ 9,5 bi de estrangeiros revelam sobre a bolsa

Setembro marcou a volta do capital externo com força. Veja o ritmo:

  • Julho: entrada de R$ 4,3 bi
  • Agosto: saída de R$ 18,1 bi
  • Setembro (até dia 28): entrada de R$ 9,569 bi

No ano, o saldo acumula quase R$ 29 bilhões positivos. A reversão de agosto para setembro não é ruído — é mudança de alocação tática. Fundos globais reduziram subponderação em emergentes e o Brasil capturou fatia desproporcional.

Bancos e varejo lideraram as altas. Itaú Unibanco (+3,2%), Bradesco (+2,8%) e Magazine Luiza (+4,1%) responderam por quase 40% dos pontos do Ibovespa no dia.

Petróleo a US$ 98: o risco que fica no radar

Enquanto a festa acontecia na bolsa, o Brent fechou a US$ 98,03 — alta de 1,94% no dia e 7% no mês. O WTI foi a US$ 90,42, subindo 6% em setembro.

O Estreito de Ormuz voltou ao noticiário: um petroleiro foi atingido por projétil de origem desconhecida. Rotas alternativas estão operando, mas o prêmio de risco geopolítico voltou ao preço do barril.

Do lado da oferta, a Rússia estendeu a proibição de exportação de diesel até fim de outubro. EUA estudam restringir exportações do combustível. Estoques americanos de petróleo subiram na semana, mas os de gasolina caíram forte — sinal de demanda aquecida.

Cenários para outubro: onde colocar a atenção

O terceiro trimestre fechou com dólar acumulando alta de 0,23% e bolsa subindo 8,32%. Em 2026, a moeda ainda cai 5,75% e o Ibovespa sobe 15,65%. A assimetria continua favorável a risco, mas três variáveis definem o próximo mês:

  • Payroll americano (dia 4): mercado espera 160 mil vagas; abaixo de 100 mil reacende corte de juros em novembro.
  • COPOM (dia 31): Selic em 13,75% — forward curve precifica manutenção, mas comunicado pode sinalizar início de cortes em 2027.
  • Eleições: segundo turno em 26 de outubro. Volatilidade cambial costuma dobrar nas duas semanas anteriores.

O fechamento de setembro deixou o real em posição técnica delicada: R$ 5,15 é suporte imediato; perda abre caminho para R$ 5,05. No Ibovespa, 188 mil pontos virou resistência de curto prazo. Quem comprou a queda de agosto já tem lucro — a pergunta agora é se realiza ou carrega para o fim do ano.

O que observar daqui pra frente: fluxo de estrangeiros na B3 na primeira semana de outubro. Se mantiver média diária acima de R$ 300 milhões, a tendência de alta da bolsa ganha fôlego para buscar 195 mil até o Natal. Se secar, prepare-se para realização técnica de 5% a 7% — saudável, não estrutural.