A Prefeitura de São Paulo confirmou que não adotará radares com inteligência artificial para multar uso de celular e falta de cinto nas vias urbanas — tecnologia que já opera nas rodovias estaduais. A decisão surpreende motoristas e levanta dúvidas sobre o futuro da fiscalização eletrônica na maior cidade do país.
O que mudou na fiscalização das rodovias
Desde agosto, câmeras com IA monitoram trechos da Raposo Tavares, Rodoanel Sul e Leste, e da SPMar. O sistema detecta infrações e encaminha as imagens para análise da Polícia Militar Rodoviária. Só após validação humana a multa é emitida.
Em 30 dias, a Ecovias aplicou 2.316 autuações no trecho urbano da Raposo Tavares. O desdobramento revela o perfil do risco:
- 59,84% por não uso do cinto (1.386 casos)
- 40,16% por celular ou fones (930 casos)
As penalidades pesam no bolso e na CNH: R$ 195,23 e 5 pontos para cinto; R$ 293,47 e 7 pontos para celular.
Por que a cidade ficou de fora
Gilmar Miranda, secretário executivo de Mobilidade e Trânsito, explicou a resistência durante o Summit Futuro da Mobilidade 2026. Segundo ele, a tecnologia perde eficiência em trechos curtos e adensados.
Nas rodovias, o fluxo é contínneo e as faixas são largas — cenário ideal para leitura de imagem. No entorno urbano, a proximidade entre veículos, a variação de velocidade e a geometria das ruas criam ruído visual que reduz a assertividade.
Miranda resumiu: este tipo de fiscalização é mais eficaz nos trajetos estruturantes que compõem a megalópole.
Como funciona a fiscalização hoje em São Paulo
Sem os radares inteligentes, a capital depende de dois pilares:
- Agentes da CET em pontos estratégicos
- Polícia Militar em blitz e rondas
O secretário destacou ainda que carros modernos já oferecem pareamento de celular via Bluetooth e espelhamento de tela — recursos que, se usados, eliminam a necessidade de manusear o aparelho.
O que vem a seguir: expansão nas estradas
A Ecovias já confirmou novos equipamentos na Castelo Branco, no trecho urbano de acesso à capital. Não há data definida, mas a tendência é de ampliação progressiva nas concessões estaduais.
Enquanto isso, a Prefeitura estuda alternativas. A prioridade declarada é entender a dinâmica dos sinistros por região antes de investir em tecnologia de monitoramento.
O que observar nos próximos meses
Três movimentos merecem atenção de quem circula diariamente pela metrópole:
- Publicação de editais para novas concessões rodoviárias com cláusulas de IA
- Possível projeto de lei estadual padronizando a validação humana das multas
- Integração de dados entre CET, PM e Detran para cruzamento de reincidência
Para frotistas e gestores de mobilidade corporativa, o recado é claro: a fiscalização eletrônica avançada continuará restrita às rodovias. Nas ruas da capital, a presença física do agente segue como principal vetor de controle — pelo menos por enquanto.
