O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) consolidou a dianteira na corrida pelo governo de Minas Gerais com 37% das intenções de voto, segundo levantamento Quaest divulgado nesta terça-feira (29). A distância de 19 pontos para o segundo colocado, Patrus Ananias (PT), que marca 18%, desenha um cenário de extrema dificuldade para os adversários a um ano da eleição.
O dado mais relevante, no entanto, não é apenas a liderança, mas a estabilidade. O parlamentar manteve o mesmo percentual da sondagem anterior, há uma semana, enquanto a indecisão caiu de 16% para 11%. Essa migração de eleitores indefinidos para onde? A resposta pode definir se há segundo turno.
O pelotão de frente e o empate técnico
Atrás dos dois líderes, a briga é por uma vaga num eventual segundo turno — e ela está aberta. Alexandre Kalil (PDT) aparece com 9%, seguido por Mateus Simões (PSD) com 6% e Flávio Roscoe (PL) com 5%. Pela margem de erro de três pontos percentuais, os três estão tecnicamente empatados.
Isso significa que qualquer oscilação mínima pode reordenar completamente o xadrez da oposição. Kalil tem a máquina de Belo Horizonte como lastro, Simões carrega a estrutura do governo Zema e Roscoe tenta capitalizar o bolsonarismo mineiro. Nenhum, por enquanto, decolou.
O raio-x completo do primeiro turno
Veja como ficou a distribuição estimulada (quando os nomes são apresentados ao eleitor) comparada à rodada de 23 de setembro:
- Cleitinho Azevedo (Republicanos): 37% (estável)
- Patrus Ananias (PT): 18% (subiu 2 pontos)
- Alexandre Kalil (PDT): 9% (subiu 1 ponto)
- Mateus Simões (PSD): 6% (caiu 1 ponto)
- Flávio Roscoe (PL): 5% (estável)
- Gabriel (MDB): 2% (estável)
- Ben Mendes (Missão): 2% (subiu 1 ponto)
- Professor Túlio Lopes (PCB): 1% (estável)
- Outros (PSTU, PCO, UP): 0%
- Indecisos: 11% (caíram 5 pontos)
- Branco/Nulo/Não vai votar: 9% (subiram 2 pontos)
Metodologia e o peso da amostra
A pesquisa ouviu 1.506 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 25 e 28 de setembro. O nível de confiança é de 95%, com registro no TSE sob o número MG-02019/2026. A encomenda partiu da TV Globo, o que garante ampla divulgação e escrutínio público nos próximos dias.
A queda brusca dos indecisos — cinco pontos em uma semana — é o termômetro a ser observado. Eleitores que saem da dúvida costumam migrar para quem já conhecem, o que beneficia os nomes com maior recall. Hoje, Cleitinho e Patrus são os maiores beneficiários naturais desse movimento.
O que observar daqui para frente
O cenário atual coloca o Republicanos em posição confortável, mas a eleição mineira tem histórico de viradas no varejo e na reta final. A chave está na capacidade de transferência de votos das máquinas municipais e no desenho das alianças nacionais — especialmente o palanque de Lula (PT) e de Bolsonaro (PL) no estado.
Se a indecisão seguir caindo e migrar proporcionalmente para os líderes, a chance de resolução em primeiro turno cresce. Caso o bloco do centro-direita (Kalil, Simões, Roscoe) consiga se unir ou um deles consiga furar a bolha, o jogo muda de figura. O próximo mês de outubro, com as convenções partidárias e definições de vices, será o verdadeiro divisor de águas.
