A Copasa confirmou Augusto Dantas Borges como novo diretor-presidente, selando a transição de comando no momento em que a mineira avança na desestatização. A troca sinaliza a importação de um modelo de gestão testado no setor elétrico para o saneamento básico.
Marília Carvalho de Melo deixa a presidência após o leilão na B3 e assume a diretoria de Relações Institucionais e Sustentabilidade. A movimentação não é apenas ceremonial; ela rearranja o tabuleiro para a nova fase de capital privado.
O perfil do novo comandante
Borges carrega 18 anos de Grupo Equatorial, conglomerado conhecido por ganhos de eficiência em distribuidoras de energia no Norte e Nordeste. O mandato vai até 2028, tempo considerado estratégico para entregar as metas do novo contrato de concessão.
A escolha aponta para uma prioridade clara: redução de perdas e disciplina de capital. Investidores veem no currículo do executivo a tentativa de replicar no saneamento o “jeito Equatorial” de operar.
Mudança no financeiro e no conselho
A reformulação vai além da presidência. Adriano Rudek de Moura assume a diretoria Financeira e de Relações com Investidores, cargo sensível na comunicação com o mercado acionário pulverizado.
No colegiado, Tinn Freire Amado foi eleito presidente do Conselho de Administração. A composição busca equilibrar conhecimento do ativo mineiro com a visão de quem já conduziu processos de turnaround em utilities privatizadas.
- Diretor-Presidente: Augusto Dantas Borges (ex-Equatorial, mandato até 2028)
- Diretora Institucional: Marília Carvalho de Melo (ex-presidente)
- CFO e RI: Adriano Rudek de Moura
- Presidente do Conselho: Tinn Freire Amado
O efeito da desestatização na operação
O leilão realizado na B3 transferiu o controle para a iniciativa privada, mas a estrutura regulatória permanece estadual. A nova equipe terá de negociar a revisão tarifária e o plano de universalização com a Arsae-MG sob olho atento do mercado.
Analistas destacam que a experiência prévia em concessões de energia ajuda na interlocução com agências reguladoras, embora o saneamento tenha ciclos de investimento mais longos e risco hidrológico distinto.
O que observar daqui para frente
O primeiro teste concreto será a divulgação do plano de negócios para o ciclo 2024-2033. Metas de coleta e tratamento de esgoto, cronograma de capex e alavancagem alvo ditarão o ritmo da ação na bolsa. A capacidade de Borges em transplantar a cultura de eficiência operacional sem atritos políticos locais será o termômetro real do sucesso da privatização.
