Economia

Desemprego em 5,3% derruba dólar a R$ 5,20; eleição empatada e petróleo aliviam?

Gráfico mostra dólar caindo para R$ 5,20 com desemprego em 5,3% menor nível histórico
Dólar recua a R$ 5,20 após desemprego atingir 5,3%, menor taxa da série histórica do IBGE.

O dólar abriu esta terça-feira (29) em queda de 0,34%, cotado a R$ 5,207, reagindo ao menor nível de desemprego da série histórica do IBGE. Mas a comemoração pode ser curta: a corrida presidencial segue tecnicamente empatada e o cenário externo ainda dita o ritmo dos riscos.

Os números do trabalho vieram perfeitos no papel, yet os juros futuros subiram. Entenda por que o mercado não se convenceu apenas com a boa notícia.

O choque positivo do mercado de trabalho

A taxa de desocupação recuou para 5,3% no trimestre até agosto, ante 5,6% no período até maio. É o piso histórico para o intervalo desde o início da Pnad Contínua, em 2012. O dado veio exatamente na mediana das projeções da Bloomberg, tirando o susto de uma surpresa altista que pressionaria o Banco Central.

Em tese, emprego cheio permite juros mais baixos à frente. Na prática, os contratos de DI para 2027 e 2029 fecharam a segunda-feira em alta, a 13,57% e 13,90%. O mercado precifica que a força da atividade impede afrouxamento monetário rápido.

Eleição: empate técnico trava otimismo fiscal

Duas pesquisas divulgadas nas últimas horas desenham o mesmo cenário: incerteza total. O levantamento Atlas/Bloomberg mostra Flávio Bolsonaro (PL) com 47,7% contra 47,6% de Lula (PT) no segundo turno — empate técnico dentro da margem de erro de 1 ponto.

A Quaest, por sua vez, aponta 42% a 42% no segundo turno e Lula à frente no primeiro (39% a 34%). Para Rodrigo Moliterno, head da Veedha Investimentos, a ausência de “ânimo novo” mantém o foco no exterior e no risco inflacionário.

  • Atlas/Bloomberg: 47,7% Flávio vs 47,6% Lula (2º turno)
  • Quaest: 42% a 42% (2º turno) | 39% Lula vs 34% Flávio (1º turno)

A aposta de parte do mercado em uma “alternância de poder” para ancorar o fiscal segue viva, mas sem definição, o prêmio de risco permanece elevado.

Petróleo e Treasuries: o alívio externo momentâneo

Lá fora, o barril do Brent cedia 1,8% por volta das 10h, a US$ 103, devolvendo parte da alta da véspera. Na segunda, Donald Trump rejeitou proposta de trégua do Irã, elevando temores de oferta e inflando o dólar global (DXY +0,24%).

Hoje, os rendimentos dos Treasuries de 10 anos recuavam levemente para 5,261%, aliviando a pressão sobre emergentes. A Bolsa brasileira, que caiu 0,26% ontem, tenta se descolar do mau humor de Nova York (S&P 500 -0,77%).

O placar do mês: setembro vira o jogo de agosto

Apesar da volatilidade diária, o balanço mensal até aqui favorece os ativos locais. O Ibovespa acumula alta de 6,4% em setembro, enquanto o dólar recua 0,25%. Em agosto, o índice batera em queda de 0,32% e a moeda subira 2,21%.

A combinação de fluxo para commodities, petróleo ainda elevado e esperança de ajuste fiscal sustenta o movimento. Porém, as propostas dos candidatos deixam lacunas: Flávio descarta mexer na Previdência e no salário mínimo; Lula propõe desacelerar gastos obrigatórios e melhorar o arcabouço. Economistas convergem: ajuste duradouro exige tocar em aposentadorias e benefícios.

O que observar nas próximas sessões

Três variáveis definirão se o dólar consolida abaixo de R$ 5,20 ou retoma a escalada: a curva de juros americana (se os yields voltam a subir), a próxima leva de pesquisas eleitorais (qualquer abertura de vantagem mexe com o prêmio de risco) e a ata do Copom, que sinalizará o ritmo do ciclo de alta da Selic. O desemprego baixo é uma âncora forte, mas, sozinho, não segura o câmbio se o fiscal e o externo azedarem.