Economia

O erro de soma zero que custa 21% a mais no seu bolso (e ninguém te conta)

Ilustração de duas pessoas cooperando para ampliar uma torta, contrastando com jogo de soma zero política, mostrando ganho de 21%
Cooperação expande a torta: ciência prova 21% mais ganhos que a mentalidade de soma zero na política

Políticos vendem a ideia de que ganhar exige derrotar o outro, mas a ciência comprova o oposto: quem coopera sai com 21% a mais no bolso. O custo da polarização não é apenas retórico — é mensurável em dinheiro real.

Enquanto campanhas presidenciais focam em eliminar adversários, deixam de explicar como expandir a torta para que todos comam mais. O resultado é um eleitorado preso em um jogo onde a vitória do vizinho parece sua derrota.

O experimento que prova: desconfiança empobrece

Pesquisadores da London School of Economics testaram 599 pessoas no Reino Unido. Cada uma recebeu 100 bilhetes para um sorteio de £100. A regra: podia enviar parte a um parceiro, que receberia o triplo e decidiria quanto devolver.

Quem enviou 40 bilhetes viu o parceiro receber 120. Se esse parceiro devolvesse 60, ambos lucravam. Simples, certo? Errado. Participantes com mentalidade de “soma zero” enviaram 17 bilhetes a menos na primeira rodada.

O saldo final? Mediana 21% menor que a dos cooperadores. O medo de “perder para o outro” fez eles perderem para si mesmos.

Quando a narrativa muda, a carteira sente

O mesmo mecanismo opera na política comercial. Um estudo com americanos mostrou que demissões idênticas geravam muito mais apoio a tarifas protecionistas quando a culpa era atribuída a “produção no exterior” do que a tecnologia ou queda de demanda.

A causa era a mesma. A explicação — e o inimigo escolhido — ditava a política. Barreiras erguidas para “proteger” um setor encarecem insumos e produtos para todos os consumidores e empresas, independentemente de partido.

Três exemplos brasileiros do custo da briga

  • Isenções setoriais: Revogar um benefício fiscal tira vantagem de poucos, mas libera capital para investimentos mais rentáveis — gerando empregos e preços menores no agregado.
  • Transporte interestadual: Permitir novas operadoras de ônibus reduz passagens e aumenta horários. Quem perde é o monopólio antigo; quem ganha, disperso, não tem lobby.
  • Reforma tributária: Unificar impostos reduz custo Brasil. A resistência vem de quem lucra com a complexidade; o ganho difuso demora a se organizar.

Onde está o incentivo para cooperar?

Quem perde vantagem imediata tem motivo claro para resistir. Os beneficiários potenciais — consumidores, novos entrantes, trabalhadores de setores mais eficientes — estão atomizados. Sem uma narrativa que quantifique o ganho coletivo, a inércia vence.

Não é ideologia. É aritmética. O experimento britânico mostrou que céticos da cooperação preferiram ganhar menos, desde que ganhassem mais que o parceiro. Na macroeconomia, isso se traduz em PIB menor, inflação mais alta e juros reais elevados por mais tempo.

O que observar daqui para frente

Fique atento a propostas que quantifiquem o ganho líquido de abrir mercados, simplificar tributos ou quebrar oligopólios — e que apresentem rede de proteção para quem precisa de transição. Candidatos que só apontam inimigos estão, na prática, pedindo seu voto para aceitar um bolso 21% mais vazio. A pergunta para 2026 e 2030 não é “quem vence?”, mas “qual o tamanho da torta que vamos assar juntos?”.