Saúde

O segredo das farmácias: o “kit Mounjaro” que explode nas prateleiras…

Kit Mounjaro em prateleira de farmácia com medicamento e produtos para efeitos colaterais
Farmácias montam kits completos com tirzepatida e itens para minimizar efeitos adversos do emagrecimento.

As farmácias deixaram de apenas dispensar as canetas de tirzepatida e passaram a montar “kits completos” para quem inicia o tratamento. A novidade movimenta prateleiras e muda a lógica de faturamento do varejo farmacêutico. Mas o que exatamente impulsiona essa cesta de produtos?

O que tem dentro da “cesta” do emagrecimento

O pacote oferecido aos pacientes vai muito além do medicamento injetável. A estratégia reúne itens para combater os efeitos colaterais mais comuns e as consequências estéticas da perda de peso acelerada. A composição típica inclui:

  • Suplementação proteica: Whey protein e albumina para preservar massa magra;
  • Creatina: Auxílio na força e recuperação muscular durante o déficit calórico;
  • Dermocosméticos: Cremes firmadores e óleos para prevenir flacidez e estrias;
  • Tratamentos capilares: Shampoos, tônicos e suplementos específicos contra queda de cabelo.

Por que o varejo apostou no “cross-selling” clínico

A movimentação não é por acaso. Com a alta adesão aos agonistas do receptor GLP-1, gestores de redes perceberam que o paciente não compra apenas a caneta — ele busca uma solução para a jornada completa. Oferecer o kit aumenta o ticket médio e, principalmente, a frequência de visitas à loja física.

Dados de mercado indicam que a categoria de suplementos e dermocosméticos cresce a dois dígitos quando atrelada à dispensação de medicamentos para obesidade. O consumidor entra para retirar a receita controlada e sai com a cesta montada pelo farmacêutico.

Efeitos colaterais e sarcopenia: o motor da venda casada

O receio com a perda de massa muscular (sarcopenia) é o principal driver técnico por trás do kit. A redução drástica do apetite, efeito central da droga, leva muitos pacientes a ingerir proteínas insuficientes apenas com a dieta habitual.

Além disso, náuseas e desconforto gastrointestinal — frequentes nas primeiras semanas — tornam a suplementação líquida ou em pó mais palatável que fontes sólidas. O farmacêutico, então, assume papel de curador dessa rotina.

A estratégia das grandes redes e o futuro da prateleira

Grandes redes já padronizam a exposição: gôndolas próximas ao balcão de especialidades exibem o “Kit Mounjaro” ou “Kit GLP-1” como solução única. Pequenas farmácias seguem o movimento para não perder o cliente para o concorrente.

Mas o efeito mais relevante aparece na fidelização. O paciente que encontra suporte completo — medicamento, suplementação e orientação — tende a manter a compra recorrente na mesma bandeira por todo o ciclo de tratamento, que pode ultrapassar 12 meses.

O que observar daqui para frente

A tendência deve se expandir para outras moléculas da mesma classe, como semaglutida, e para novas indicações aprovadas. A regulação da publicidade desses “kits combinados” pelos conselhos de farmácia e pela Anvisa será o ponto de atenção. Para o empresário do setor, a lição está dada: o produto isolado perdeu espaço para a jornada de cuidado integrada.