O Ibovespa opera em alta marginal de 0,11% aos 183.679 pontos, enquanto o dólar avança 0,45% para R$ 5,204 — um cenário de cautela com juros futuros pressionados e radar eleitoral ligado. A divergência entre bolsa e moeda expõe o dilema do investidor local: comprar ações baratas ou buscar proteção no câmbio?
Petrobras divide atenções entre petróleo e política
As ações PETR3 e PETR4 oscilam em torno da estabilidade, sensíveis ao Brent acima de US$ 85 e ao noticiário sobre política de preços. A estatal segue no centro do debate sobre interferência governamental, o que mantém o prêmio de risco elevado nos papéis.
Analistas monitoram se a companhia conseguirá manter a geração de caixa robusta do primeiro trimestre, quando o fluxo de caixa livre superou R$ 30 bilhões. Qualquer sinal de mudança na paridade de importação tende a provocar reação imediata.
Prio e Brava: o petróleo independente ganha espaço
Enquanto a gigante estatal hesita, Prio (PRIO3) e Brava (BRAV3) mostram execução consistente. A Prio confirmou produção média de 100 mil barris/dia no cluster de Frade, com custo de extração abaixo de US$ 15/barril — margem que poucas petroleiras globais entregam hoje.
Já a Brava avança na integração dos ativos da Eneva e projeta sinergias operacionais que podem elevar o Ebitda ajustado acima de R$ 4 bilhões em 2024. O mercado premia a previsibilidade: ambas acumulam valorização superior a 25% no ano.
Vale e Weg: minério e indústria em direções opostas
Vale (VALE3) recua levemente com o minério de ferro em Qingdao estacionado próximo a US$ 105/t, pressão vinda de dados fracos do setor imobiliário chinês. A meta de produção de 310-320 Mt para 2024 segue intacta, mas o guidance de custos C1 foi revisado para US$ 19,5-20,5/t.
Weg (WEGE3) sustenta ganhos após confirmar carteira de pedidos recorde de R$ 18,2 bilhões no trimestre. A exposição a transição energética e automação industrial no exterior funciona como hedge natural contra o ciclo doméstico.
Varejo e saúde: Renner brilha, CVC e Fleury sob pressão
- Lojas Renner (LREN3): alta de 2,3% após divulgar vendas mesmas lojas (SSS) de +12,4% no 1T24, bem acima do consenso de 8%. Margem bruta expandiu 120 bps para 54,1%.
- CVC (CVCB3): queda de 4% com prejuízo líquido de R$ 89 milhões no trimestre, impactado por provisionamentos e câmbio. Dívida líquida/Ebitda encerrou em 3,2x.
- Fleury (FLRY3): estabilidade após lucro de R$ 112 milhões (+18% a/a), mas receita líquida cresceu apenas 3,6%, abaixo da inflação médica.
Small caps em evidência: Hypera, Vittia e Nvidia no radar
Hypera (HYPE3) avança 1,8% com expectativa de lançamento de 15 novos produtos em 2024 e ganho de market share em genéricos. Vittia (VITT3) sobe 3% após assinar contrato de distribuição exclusiva para bioinsumos no Mato Grosso — porteira de entrada para o maior estado agrícola do país.
O movimento da Nvidia (NVDC34) no after-market em Nova York, com alta de 6% pós-balanço, injeta otimismo nos BDRs de semicondutores e fundos de tecnologia listados na B3.
O que observar nas próximas sessões
A ata do Copom e o IPCA-15 de maio ditam o ritmo dos juros futuros — e, por consequência, a atratividade do carry trade que sustenta o fluxo para renda variável. No front corporativo, a temporada de balanços entra na reta final: 68% das empresas do Ibovespa já reportaram, com 54% surpreendendo positivamente no lucro. O dado-chave da semana sai quinta-feira: PIB do 1T24, com consenso de estabilidade na margem. Se vier acima de 0,2%, a narrativa de “pouso suave” ganha força e pode destravar nova perna de alta para 186-188 mil pontos.
