Justiça

Senado em SP: Empate técnico histórico deixa 2026 em aberto…

Gráfico de pesquisa eleitoral mostra empate técnico triplo para Senado por São Paulo em 2026
Pesquisa revela empate técnico histórico entre três pré-candidatos ao Senado por SP nas eleições de 2026.

Uma nova pesquisa coloca três pesos-pesados da política nacional em um empate técnico inédito pelas duas vagas do Senado por São Paulo em 2026. A diferença entre o primeiro e o terceiro nome é de apenas 1,8 ponto percentual, dentro da margem de erro. O cenário sugere uma batalha voto a voto que pode redefinir o equilíbrio de poder no Congresso.

Os dados, coletados entre 22 e 26 de setembro com 1.600 eleitores, mostram um eleitorado ainda volátil: quase um terço dos entrevistados não sabe em quem votar. Esse contingente de indecisos, somado aos votos brancos e nulos, torna qualquer projeção definitiva arriscada neste momento.

Os números que explicam o “embate triplo”

A ex-ministra Marina Silva (Rede) lidera numericamente com 35,1% das intenções de voto. Em seguida, aparecem o secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP), com 34,7%, e a ministra do Planejamento Simone Tebet (PSB), com 33,3%. A margem de erro do levantamento é de 2,4 pontos percentuais.

Na prática, isso significa que os três estão tecnicamente empatados na primeira posição. A disputa real, portanto, não é pela liderança isolada, mas por quais dois conseguirão se descolar do pelotão de frente até o dia da eleição.

  • Marina Silva (Rede): 35,1%
  • Guilherme Derrite (PP): 34,7%
  • Simone Tebet (PSB): 33,3%
  • André do Prado (PL): 24%
  • Ricardo Salles (Novo): 6,3% (candidatura retirada)

O nome do PL, André do Prado, surge como a única força consolidada fora do trio de frente, mas com uma distância considerável — mais de 9 pontos para o terceiro colocado. Os demais nomes testados não ultrapassaram a barreira dos 3%.

O fator “indecisos” e a saída de Salles

O dado mais estratégico para as campanhas pode não ser quem lidera, mas quem ainda não escolheu. 31,9% dos eleitores declararam-se indecisos, enquanto 22,1% pretendem votar em branco, nulo ou em ninguém. Juntos, somam mais da metade do eleitorado (54%).

Isso indica que a “eleição real” ainda não começou para a maioria dos paulistas. A definição dos palanques estaduais, as alianças partidárias formais e a exposição na TV gratuita tendem a drenar essa massa flutuante para os candidatos viáveis.

Outro movimento relevante ocorreu no próprio dia da divulgação: Ricardo Salles (Novo) anunciou a desistência da candidatura. Seus 6,3% tornam-se um ativo de transferência imediata, o que pode beneficiar perfis alinhados ao espectro liberal-conservador, alterando a dinâmica da disputa pela segunda vaga.

Por que isso importa para o cenário nacional

São Paulo elege dois senadores a cada oito anos. A composição dessa bancada costuma ditar o ritmo de votações sensíveis no Planalto — de reformas econômicas a pautas de costumes e indicações para tribunais superiores.

Um Senado com Marina Silva e Simone Tebet sinalizaria uma forte influência do centro-esquerda e do ambientalismo. Já a eleição de Guilherme Derrite fortaleceria a base de apoio ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e ao campo da direita no Congresso. O quarto nome forte, André do Prado, reforçaria o PL, partido de oposição ao governo federal.

O estudo também testou o cenário para o governo do estado, onde Tarcísio de Freitas aparece com 54,8% no primeiro turno contra 32,6% de Fernando Haddad (PT). A popularidade do governador atua como um “puxador de votos” potencial para seus aliados ao Senado, especialmente Derrite.

O que observar nos próximos meses

A pesquisa está registrada no TSE sob o protocolo SP-06753/2026 e foi contratada pela 100% Cidades. Metodologicamente, utilizou entrevistas telefônicas (CATI), o que costuma captar bem o eleitorado mais velho e conservador, mas pode sub-representar jovens que atendem menos a chamadas desconhecidas.

Para quem acompanha o risco político e o ambiente de negócios, três variáveis merecem monitoramento contínuo:

  • Formalização das federações e coligações: definirá o tempo de TV e a capilaridade de cada campanha.
  • Migração dos votos de Salles: para onde vai o eleitorado liberal que não vota no PL?
  • Desempenho da economia real até meados de 2026: emprego e renda costumam ditar o voto no Sudeste.

O empate triplo em São Paulo transforma o maior colégio eleitoral do país em um laboratório de alta volatilidade. Quem souber ler a movimentação dos indecisos nos próximos trimestres terá a melhor bússola para apostar na configuração do próximo Senado.