Economia

Acordo EUA-China corta tarifas de US$ 60 bi: veja o que entra na lista

Aperto de mão entre bandeiras dos EUA e China simbolizando acordo comercial de corte de tarifas
EUA e China anunciam corte recíproco de tarifas em US$ 60 bi no comércio bilateral

Estados Unidos e China acabam de desbloquear US$ 60 bilhões em comércio bilateral com cortes tarifários recíprocos. A medida atinge desde milho e cosméticos até cafeteiras e cadeirinhas de bebê. Mas a soja ficou de fora — e o carvão entrou no pacote para 2027.

O anúncio saiu domingo (27) pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, após a segunda cúpula entre Donald Trump e Xi Jinping em Washington. Cada lado indicou US$ 30 bilhões em bens “não sensíveis” para tratamento preferencial. A trégua comercial também ganhou sobrevida: vai até 10 de janeiro.

O que efetivamente muda nas prateleiras e nos portos

A Casa Branca divulgou duas listas. Do lado chinês, caem tarifas sobre:

  • Grãos e carnes: milho, trigo, sorgo, carne, laticínios, óleos vegetais e farinhas
  • Pescados, toras, madeira processada, cosméticos e dispositivos médicos

Já Washington alivia a taxa sobre pequenos eletrodomésticos chineses — cafeteiras, torradeiras —, louças, cobertores, roupas de cama, brinquedos, fogos de artifício, flores artificiais, luzes de Natal e cadeirinhas infantis para automóveis.

O agro que importa (e o que ficou de fora)

A seleção chinesa mira o compromisso de US$ 17 bilhões em compras agrícolas que a Casa Branca cobra. A soja, carro-chefe da pauta exportadora americana, não entrou na lista de redução — mas Pequim já recomprou volumes massivos: 25 milhões de toneladas métricas anuais pelo acordo do ano passado.

Um grupo de trabalho agrícola bilateral fará a primeira reunião antes do fim de 2025 para discutir acesso a mercados e regulação. Paralelamente, a China se compromete a importar 10 milhões de toneladas de carvão dos EUA por ano em 2027 e 2028, cerca de 2% de suas importações totais do insumo. Gás natural liquefeito e petróleo seguem fora do radar.

Trégua de 60 dias: ganho de tempo ou estratégia?

O Ministério do Comércio chinês classificou a prorrogação até 10 de janeiro como “ambiente político relativamente estável e previsível”. Na prática, ambos os lados mantêm conversas regulares sobre barreiras de investimento, com promessa de mais transparência e previsibilidade regulatória.

Mas o relógio corre. Se não houver avanço estrutural até janeiro, as tarifas anteriores podem voltar — ou subir.

IA, finanças e aviação: o pacote invisível

Além das mercadorias, o acordo criou:

  • Canal de comunicação para incidentes de inteligência artificial, com diálogo de acompanhamento até novembro
  • Avaliação e aprovação de instituições financeiras estrangeiras (incluindo capital americano) para operar e abrir filiais na China
  • Negociações contínuas para ampliar voos diretos entre os dois países

São sinais de que a desconexão tecnológica e financeira pode arrefecer — ainda que sem prazos firmes.

O que observar daqui para frente

Três variáveis ditam o próximo capítulo: (1) se a China cumpre a meta de US$ 17 bi em agro sem a soja na lista de corte; (2) se o grupo de trabalho agrícola entrega avanços regulatórios antes do Natal; (3) se a trégua de janeiro vira acordo duradouro ou apenas empurra o problema para o primeiro trimestre. Empresas expostas a cadeias sino-americanas devem mapear quais SKUs entram nas listas — e preparar cenários para ambos os desfechos.