Economia

O segredo por trás da aposta bilionária da IP Capital nas Big Techs de IA

Logos Microsoft, Meta, Alphabet, Amazon sobre gráfico de crescimento investimento IA
IP Capital aposta R$ 2,7 bi nas Big Techs de IA com retorno de 20%

A gestora IP Capital Partners, com R$ 2,7 bilhões sob gestão, colocou as fichas em Microsoft, Meta, Alphabet e Amazon, ignorando o burburinho de bolha. O retorno sobre o capital investido nessas frentes já ronda os 20%, segundo o sócio Gabriel Raoni.

Mas o que garante que essa conta fecha enquanto startups como OpenAI assustam pelo valuation? A resposta está numa infraestrutura invisível que poucas analisam.

O salto de investimento que ninguém ignora

Os números mostram uma aceleração brutal. Em 2023, os cinco gigantes — Microsoft, Meta, Alphabet, Amazon e Oracle — injetaram US$ 150 bilhões em IA. Dois anos depois, o montante triplicou para US$ 450 bilhões.

A projeção da casa é de que o ritmo não arrefeça. Para 2026, a estimativa aponta US$ 750 bilhões. Em 2027, a casa do trilhão será batida: cerca de US$ 1,2 trilhão.

Esse volume costuma assustar quem olha apenas o custo. Raoni, contudo, aponta para a declaração do CEO da Amazon, Andy Jassy: dois terços desse capex têm payback previsto em menos de três anos.

Por que a adoção desta vez é diferente

Bolhas costumam nascer do abismo entre a invenção tecnológica e a disposição do mercado em adotá-la. Na IA generativa, a curva de adoção está comprimida.

A diferença estrutural está na base instalada. Não é preciso criar o hábito do zero; basta plugar a inteligência onde o usuário já está.

  • Meta: mais de 3 bilhões de usuários ativos.
  • Microsoft: centenas de milhões no ecossistema Office.
  • Google (Alphabet): múltiplos produtos com 1 bilhão+ de usuários cada.

O custo de distribuição de uma nova ferramenta de IA tende a zero para esses players. O “rollout” é imediato.

O controle da cadeia inteira reduz o risco de ociosidade

Raoni mapeia a cadeia da IA em cinco camadas: energia, semicondutores, data centers, modelos de linguagem e aplicações finais.

A tese da IP é que as quatro grandes atuam simultaneamente em várias dessas etapas. Quem controla do chip ao chatbot não fica refém de gargalos externos nem corre o risco de construir infraestrutura ociosa.

Essa verticalização funciona como um seguro. Se a demanda por modelos arrefece, a nuvem ainda fatura. Se a nuvem trava, a aplicação segura a ponta.

Por que OpenAI e Anthropic ficaram de fora

Não é ceticismo com a tecnologia, mas com o preço. Raoni classifica os valuations atuais dessas startups como “muito elevados” para um momento em que as vantagens competitivas — os “moats” — ainda estão em construção.

A preferência recai sobre quem já tem histórico de geração de caixa livre, posição dominante consolidada e modelo de negócio maduro. “Prefiro uma história mais solidificada”, resume o gestor.

E o Brasil na equação?

Dois terços do capital da IP estão no exterior, mas o radar local segue ligado. Juros altos elevaram o prêmio de risco da B3, criando pontos de entrada em empresas resilientes.

As apostas citadas giram em torno de previsibilidade e longevidade:

  • Itaú Unibanco: destaque para a proteção em cenários de estresse de crédito.
  • Equatorial e Energisa: atravessaram ciclos regulatórios distintos mantendo geração de valor ao acionista.

O que observar daqui para frente

A métrica-chave para validar a tese nos próximos trimestres não é o lucro líquido, mas a evolução da receita de nuvem e a taxa de adoção dos copilotos corporativos. Se o payback de três anos prometido por Jassy se confirmar nas demonstrações de resultados, a narrativa de bolha perde força rapidamente. O investidor deve monitorar se o capex projetado para 2026/2027 se mantém ou acelera — isso ditará o ritmo das ações nos próximos anos.