A Receita Federal contabilizou 447.716 solicitações para o regime regular do IBS e da CBS dentro do Simples Nacional até sexta-feira (25). O salto de 171,3% em apenas sete dias revela uma corrida silenciosa de empresários para entender — e garantir — a melhor tributação a partir de 2027.
O prazo se encerra na próxima quarta-feira (30). A decisão tomada agora valerá para todo o primeiro semestre do ano que vem, mas poucos sabem que existe uma “porta de saída” estratégica prevista para novembro.
O que está por trás da explosão de pedidos
Na semana anterior, o sistema registrava 165.034 solicitações. O novo balanço mostra que quase 300 mil empresas entraram na fila nos últimos dias. O órgão ressalva: o número reflete pedidos recebidos, não necessariamente empresas que permanecerão no modelo híbrido após a análise final.
Paralelamente, as opções padrão pelo Simples Nacional também subiram: foram 328.432 solicitações até o dia 25. Dessas, 114.981 já foram deferidas, enquanto 213.451 aguardam regularização de pendências dentro do prazo legal de 30 dias.
Entenda o modelo híbrido em 3 pontos
- Permanece no Simples para IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, IPI, ICMS e ISS (recolhidos via DAS único).
- Migra para o regime regular apenas no IBS (estadual/municipal) e CBS (federal), novos tributos da Reforma.
- Objetivo central: permitir a apropriação e transferência de créditos tributários — algo vedado no Simples tradicional.
Essa escolha vale para o seu negócio?
A Receita Federal orienta que a adesão não é automática nem recomendada para todos. A análise deve considerar variáveis concretas da operação:
- Perfil da clientela: predominância de vendas B2B (para outras empresas) favorece o crédito.
- Estrutura de custos: fornecedores que geram créditos de IBS/CBS ampliam o benefício.
- Posição na cadeia: indústrias e atacadistas tendem a ganhar mais que varejistas puros.
- Formação de preço: impacto da não cumulatividade na margem final.
Empresas optantes atuais não precisam pedir renovação do Simples. A única ação obrigatória agora é definir como recolher IBS e CBS. Quem não optar pelo regime regular permanecerá na sistemática unificada padrão.
O calendário que ninguém te explicou direito
A escolha de setembro produz efeitos de janeiro a junho de 2027. Haverá uma nova janela em março do ano que vem para definir o recolhimento do segundo semestre (julho a dezembro).
Mas o detalhe crucial está no “arrependimento”: quem optar pelo regime regular agora pode desistir até 30 de novembro de 2026. O secretário especial Robinson Barreirinhas admitiu que, se o Senado definir a alíquota da CBS após essa data, poderá haver revisão extraordinária da opção.
O que observar daqui para frente
Os números ainda serão atualizados até o fechamento do sistema na quarta-feira. A recomendação prática: use os próximos dias para rodar simulações com seu contador comparando a carga efetiva nos dois cenários. A decisão não é irrevogável em novembro, mas perder o prazo de setembro significa abrir mão do direito de escolha para o primeiro semestre de 2027 — e isso, sim, pode custar caro.
