Internacional

Última semana de campanha: onde cada presidenciável aposta suas fichas nesta 2ª (28)

Candidatos à Presidência fazem campanha no Mercado Municipal e Brás em São Paulo
Presidenciáveis intensificam corpo a corpo com eleitores nos mercados paulistanos a sete dias do primeiro turno

A sete dias do primeiro turno, os 13 candidatos à Presidência radicalizam estratégias de exposição. A agenda desta segunda-feira (28) revela prioridades geográficas, eleitorais e de mídia que definem o tabuleiro final.

O varejo político domina São Paulo

Cinco candidatos concentram atividades na capital paulista, maior colégio eleitoral do país. Flávio Bolsonaro (PL) percorre o Brás e o Mercadão pela manhã — redutos de comércio popular e eleitorado conservador. No mesmo Mercadão, Clariana Barão (DC) capta imagens para peças de campanha.

Augusto Cury (Avante) desenha uma agenda institucional densa: Bradesco (10h), associação de transportes rodoviários (14h), YouTube Brasil (15h) e Assembleia de Deus no Brás (19h). O roteiro sinaliza busca por apoio do establishment financeiro, setor logístico, influência digital e base evangélica simultaneamente.

Samara Martins (UP) alterna fábrica na Mooca (12h), ato pela legalização do aborto no Masp (18h) e evento na Universidade Zumbi dos Palmares (20h) — triangulando classe trabalhadora, pautas identitárias e eleitorado negro jovem.

O jogo das regiões: Norte, Nordeste e Centro-Oeste

Lula (PT) foca no que chama de “Nordeste ampliado”: atos em Belém e Manaus. A escolha reforça a defesa de margens históricas na região, onde o PT superou 60% dos votos válidos em 2022, ao mesmo tempo em que tenta expandir na Amazônia urbana.

Ronaldo Caiado (PSD) caminha no Jardim Guanabara, em Goiânia. O governador licenciado usa a base goiana como vitrine de gestão, mirando eleitorado de centro-direita insatisfeito com polarização.

Romeu Zema (Novo) almoça com apoiadores em Caeté (MG) às 13h e concede entrevista à Rádio Alfa FM de Nova Era às 15h45. A rota mineira — segundo maior colégio eleitoral — privilegia rádio interiorana, meio de maior penetração fora das capitais.

Brasília e o voto de opinião

Hertz Dias (PSTU) concentra a manhã em entrevistas a O Tempo, Poder 360 e Metrópoles. Às 14h, vai ao Restaurante Universitário da UnB. A aposta: visibilidade em veículos de nicho político e mobilização estudantil no Distrito Federal, onde o eleitorado tem alto índice de ensino superior.

Edmilson Costa (PCB) opta por live no Instagram às 20h30 com a jornalista Renata Regina — estratégia de baixo custo e alcance segmentado à esquerda organizada.

Ausências que falam

Três candidatos não têm agenda pública divulgada até o fechamento desta edição:

  • Wilson Grassi (Democrata): sem compromissos oficiais
  • Leonardo Avalanche (PRTB): sem divulgação
  • Rui Costa Pimenta (PCO): sem divulgação

O silêncio pode indicar foco em atos virtuais, recursos escassos ou decisão tática de poupar exposição em semana de alto risco de gaffes.

O que observar nos próximos dias

A ordem alfabética rotativa da Agência Brasil — critério de isenção — embaralha a visibilidade diária. Mas o padrão desta segunda revela três eixos decisivos:

  • São Paulo como arena central: 5 dos 10 candidatos com agenda detalhada atuam lá
  • Rádio e evangélicos: Zema e Cury priorizam canais de influência capilar
  • Digital vs. rua: PCB e UP apostam em live e ato simbólico; Bolsonaro e Caiado, em corpo a corpo

Na terça, os holofotes migram para o primeiro debate televisivo da banda aberta. Candidatos sem estrutura de guerra — Grassi, Avalanche, Pimenta — terão a última chance de exposição de massa gratuita. Quem não aparecer lá, entra na reta final invisível para o eleitor médio.