A Unimed Costa do Sol inaugurou em 3 de setembro de 2026 uma unidade desenhada para absorver a explosão de diagnósticos de autismo no Brasil. Com 15 salas e potencial para 6.700 atendimentos mensais, o movimento sinaliza uma mudança estratégica no setor de saúde suplementar. Mas a estrutura física é apenas a ponta do iceberg.
O fato bruto: números que explicam a aposta
A nova unidade do programa Viver Bem, no Centro de Macaé (RJ), nasce com capacidade para acolher aproximadamente 670 novos beneficiários. A conta fecha quando se olha para a frequência: a estimativa interna projeta cerca de 6.700 sessões por mês.
O espaço reúne oito especialidades sob o mesmo teto: fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição, psicologia, psicomotricidade, psicopedagogia, musicoterapia e terapia ocupacional. Antes desta inauguração, as três unidades existentes já acompanhavam 920 pacientes.
Por que verticalizar o cuidado agora?
Para o diretor-presidente Dr. Gumercino Pinheiro Faria Filho, a cooperativa deixa de ser “uma operadora comum” ao internalizar uma demanda que o mercado costuma terceirizar. A decisão passa pelo controle de qualidade e pela integração real entre profissionais — algo difícil de garantir em redes credenciadas fragmentadas.
O diferencial operacional está nas salas amplas compartilhadas entre terapia ocupacional e fisioterapia. O desenho arquitetônico força a transdisciplinaridade: profissionais trocam informações em tempo real e constroem planos únicos para cada paciente, reduzindo retrabalho e lacunas no tratamento.
O motor invisível: 2,4 milhões de razões
O Censo 2022 do IBGE mapeou 2,4 milhões de brasileiros com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O dado não é apenas estatística; ele dita a velocidade de expansão necessária para qualquer player que queira relevância no longo prazo.
A unidade atende desde sinais de alerta em bebês — incluindo prematuros em seguimento pós-alta de UTI até os dois anos — até adultos com demandas comportamentais. A pediatra Dra. Darlene Rodrigues Daumas resume o vazio que o serviço preenche: famílias saem do hospital sem rede de apoio estruturada para o desenvolvimento neurotípico ou atípico da criança.
- Público-alvo: TEA, outros transtornos do neurodesenvolvimento e comportamentais, todas as idades.
- Modelo: Multiprofissional integrado, individualizado, recursos próprios.
- Horário: Segunda a sexta, 8h às 20h — facilitando adesão de famílias trabalhadoras.
Macaé como laboratório de expansão
A escolha da cidade-sede não foi aleatória. Macaé liderou a geração de empregos formais em 2025 (CAGED) e concentrou um terço do investimento privado do estado. O prefeito Welberth Rezende classifica a cooperativa como “maior parceira da Prefeitura na saúde”.
Esse ambiente econômico aquecido cria uma pressão duplo: mais beneficiários corporativos ingressando nos planos e maior exigência por serviços de alta complexidade resolutivos perto de casa. A resposta da Unimed foi antecipar a estrutura.
O próximo passo já tem endereço
A diretoria confirmou que uma unidade gêmea está em preparação em Rio das Ostras. O movimento sugere uma estratégia de “clusters” regionais: adensar a rede própria onde a base de beneficiários cresce acima da média nacional, capturando valor que escaparia para clínicas isoladas.
O que observar daqui para frente
A sustentabilidade do modelo “humanizado e integrado” em escala será o teste real. Manter a transdisciplinaridade efetiva — não apenas no discurso — com 6.700 atendimentos/mês exige governança clínica robusta e gestão de agenda cirúrgica. Se a cooperativa provar que consegue escalar qualidade, o case vira referência para o setor de cooperativismo médico. O mercado estará atento aos indicadores de desfecho clínico e taxa de retenção desses novos 670 pacientes nos próximos 12 meses.
