Economia

O segredo do nutricionista que multiplicou a agenda por 10 sem virar dono de clínica

Nutricionista Luis Felipe Prates atendendo em cooperativa de saúde, modelo que escalou agenda 10x sem abrir clínica própria
O cooperativismo permitiu a Luis Felipe Prates multiplicar atendimentos sem custos de clínica própria.

O cooperativismo de saúde movimentou R$ 130,7 bilhões no último ano e atende mais de 27 milhões de brasileiros. Mas a força real desse modelo não está apenas no agregado: está na história de profissionais como Luis Felipe Prates, que trocou a rigidez da CLT por uma agenda de 50 atendimentos semanais em Petrópolis.

Como um nutricionista consegue escalar o próprio negócio sem assumir o risco de abrir uma clínica própria? A resposta está em uma estrutura que divide custos, compartilha pacientes e mantém a autonomia técnica.

Da capital para a serra: a virada de chave

Há 16 anos, Luis Felipe atuava como empregado celetista no Rio de Janeiro. Questões pessoais o trouxeram de volta a Petrópolis, mas a volta não significou recuo na carreira. Ao conhecer a Unifop (Cooperativa de Saúde Mental e Reabilitação), ele encontrou um meio-termo raro: flexibilidade de horário com volume de demanda de grande porte.

O resultado prático foi imediato. A agenda saltou de cinco para 50 atendimentos por semana. “O cooperativismo me deu a estrutura que eu não tinha sozinho e a liberdade que a CLT não oferecia”, resume o profissional.

Por que cooperar rende mais do que competir

Na Unifop, mais de 120 cooperados de especialidades distintas operam sob o mesmo guarda-chuva. Em vez de disputarem o mesmo paciente, eles se referenciam. O psicólogo encaminha para o nutricionista, que encaminha para o fisioterapeuta.

Essa integração resolve dois gargalos clássicos do setor privado:

  • Ociosidade de agenda: a rede garante fluxo contínuo de novos pacientes.
  • Custo fixo alto: recepção, faturamento, compliance e marketing são rateados.

O profissional mantém a autonomia clínica, define seus horários e recebe por produção, mas deixa a gestão burocrática para a estrutura coletiva.

O efeito nos números macroeconômicos

O caso de Petrópolis espelha a dinâmica nacional. São 695 cooperativas de saúde espalhadas por mais de 90% do território, gerando 162 mil empregos diretos e reunindo 304 mil cooperados.

Para Vinicius Mesquita, presidente do Sistema OCB/RJ, a equação é simples: valorizar quem cuida melhora o cuidado ofertado. “Quando profissionais se unem para compartilhar conhecimento e construir oportunidades, o cooperado fortalece a carreira, a cooperativa cresce de forma sustentável e a população acessa uma rede integrada”, afirma.

O que observar daqui para frente

O movimento SomosCoop tem ampliado a visibilidade do selo cooperativista no mercado. Para o empresário ou investidor do setor, o sinal é claro: modelos que reduzem a fragmentação do cuidado e diluem o risco operacional tendem a ganhar participação de mercado nos próximos ciclos.

Fique atento à expansão das cooperativas de especialidades — saúde mental, reabilitação e atenção primária — para regiões fora dos grandes centros. A capilaridade (já presente em 90% dos municípios) é o ativo mais subestimado desse setor.