Internacional

Trump ofereceu armas dos EUA a Xi Jinping e minimizou vendas a Taiwan, revela embaixador

Trump e Xi Jinping apertam as mãos em cúpula diplomática com bandeiras dos EUA e China ao fundo
Trump teria oferecido armas dos EUA a Xi Jinping e minimizado vendas a Taiwan, segundo embaixador David Perdue.

O presidente Donald Trump tratou a venda de armas a Taiwan como uma transação comercial rotineira durante encontro com Xi Jinping, chegando a perguntar se o líder chinês tinha interesse em comprar equipamentos militares americanos. A revelação partiu do embaixador David Perdue, que representou Trump em Pequim, em entrevista concedida no domingo (27).

A fala expõe uma abordagem transacional inédita para um tema que historicamente define o equilíbrio de poder no Estreito de Taiwan. Pequim considera a ilha uma província rebelde; Washington, por lei, é obrigado a fornecer meios para sua defesa.

O que aconteceu na Casa Branca

Xi Jinping realizou visita de Estado a Washington entre quarta e sexta-feira da semana passada. Em conversas privadas, segundo a mídia estatal chinesa, o líder pressionou Trump a se opor formalmente à independência de Taiwan. A resposta do presidente americano, de acordo com Perdue, foi rebaixar a sensibilidade do assunto.

“Olha, nós vendemos armas para outros países ao redor do mundo”, teria dito Trump a Xi, segundo o relato do embaixador ao programa “Fox News Sunday”. Em seguida, o presidente americano perguntou se a China gostaria de adquirir armamentos dos EUA — oferta que, se aceita, quebraria décadas de embargo e exporia tecnologia sensível a um rival estratégico.

Contexto: a “carta de negociação” de 14 bilhões

Não é a primeira vez que Trump enquadra as vendas a Taiwan como moeda de troca. Em maio, após cúpula anterior com Xi em Pequim, a administração suspendeu um pacote recorde de US$ 14 bilhões em armamentos para a ilha. Na ocasião, Trump classificou as vendas como uma “carta de negociação muito boa” com a China.

Legisladores de ambos os partidos nos EUA manifestaram preocupação com atrasos em pacotes de ajuda e pedidos de armas para Taipei. A apresentadora Shannon Bream questionou Perdue se haveria retenção de armamentos para agradar Xi. O embaixador negou: “Trump defende Taiwan com tanta firmeza quanto qualquer pessoa que já vi”.

O que está em jogo para os negócios

  • Cadeia de suprimentos: Taiwan produz mais de 90% dos chips avançados do mundo; instabilidade no Estreito afeta diretamente a indústria global de tecnologia.
  • Mercado de defesa: A abertura — mesmo que retórica — de vendas à China alteraria o cálculo de risco para contratantes de defesa e aliados dos EUA na Ásia.
  • Política comercial: A vinculação de armamentos a negociações comerciais cria precedente para uso de segurança nacional como alavanca tarifária.

Pequim não reconhece Taiwan como país soberano; Taipei reivindica ser o governo legítimo de toda a China desde 1949. Os EUA mantêm “ambiguidade estratégica” — não se comprometem publicamente a defender a ilha militarmente, mas são seu maior fornecedor informal de armas.

O que observar daqui para frente

O relato de Perdue sugere que a administração Trump continuará a tratar vendas de armas como variável de negociação bilateral, não como compromisso fixo. Empresários e investidores devem monitorar: (1) a tramitação de novos pacotes para Taiwan no Congresso; (2) eventuais sinais de flexibilização do embargo de armas à China; (3) reações de aliados como Japão e Coreia do Sul, que dependem do guarda-chuva de segurança americano. A previsibilidade — ativo mais valioso para planejamento de longo prazo — segue em aberto.