O azeite Sabiá acaba de conquistar o título de melhor sistema de extração do mundo no Flos Olei 2027, tornando-se o primeiro produto nacional a vencer essa categoria na premiação italiana mais respeitada do setor. A cerimônia acontece em 11 de dezembro, na capital italiana.
O reconhecimento não é sorte. Ele coroa um trabalho que coloca o Brasil no mapa da alta qualidade mundial — e abre portas para que outros produtores nacionais sigam o mesmo caminho.
O que esse prêmio significa na prática
O Flos Olei não é um concurso qualquer. O guia italiano avalia 500 propriedades de 58 países a cada edição, usando uma escala de 100 pontos. Sabiá e Prosperato lideram a delegação brasileira com 98 pontos cada — nota que equipara esses azeites aos melhores da Espanha, Itália e Grécia.
Dos 15 rótulos nacionais na lista, 11 vêm do Rio Grande do Sul e quatro de Minas Gerais. A concentração gaúcha reflete o clima favorável da região da Campanha, mas o prêmio de extração mostra que terroir sozinho não basta.
Por que a extração fez a diferença
A categoria premiada está atrelada ao azeite Picual, variedade que exige controle cirúrgico em todas as etapas: manejo do olival, ponto exato de colheita e tempo mínimo entre a retirada do fruto e o processamento.
“Transformar esse potencial em qualidade na garrafa exige precisão em todas as etapas”, afirmam Bia Pereira e Bob Vieira da Costa, fundadores da marca. Não é frase de efeito — é a descrição técnica do que separa um azeite bom de um azeite de classe mundial.
- Manejo do olival: poda, irrigação e monitoramento de pragas sem resíduos
- Ponto de colheita: azeitonas no estágio ideal de maturação para o perfil desejado
- Tempo processamento: horas, não dias, entre a colheita e o lagar
- Controle de temperatura: extração a frio abaixo de 27°C
Segundo título internacional em três anos
Essa não é a estreia do Sabiá no pódio. Em 2025, o rótulo Koroneiki — monovarietal, ou seja, feito com uma única variedade de azeitona — levou o título de melhor frutado médio da mesma premiação. Dois prêmios em categorias diferentes comprovam consistência, não golpe de sorte.
Os cofundadores viajarão a Roma para receber a distinção pessoalmente. O gesto simbólico reforça o que os números já mostram: o azeite brasileiro de alta gama deixou de ser promessa para virar realidade competitiva.
O que observar daqui para frente
A vitória no sistema de extração tende a pressionar toda a cadeia nacional. Produtores que antes focavam apenas na variedade de azeitona agora terão que investir em tecnologia de lagar, logística de colheita e capacitação técnica para manter o padrão.
Para o empresário ou investidor do setor, o sinal é claro: a barreira de entrada para a excelência subiu. Quem não dominar a precisão na extração ficará fora das premiações — e, mais importante, fora das prateleiras premium que pagam pelo diferencial de qualidade comprovada.
O próximo Flos Olei dirá se o Brasil consolidou a posição ou se foi um ano isolado. A aposta segura é na continuidade: a estrutura técnica já existe, o conhecimento está disseminado e o mercado internacional está atento.
